Agência Folha
De Brasília
O documento Informe Conjuntural do mês de agosto, divulgado ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), considera indispensável o retorno do País à trajetória de crescimento econômico. Segundo o documento, o crescimento é necessário ‘‘tanto para lograr o aumento da renda per capita e a incorporação de novas parcelas ao mercado de consumo quanto para amenizar o necessário esforço de ajuste das contas públicas’’.
A conclusão do Informe Conjuntural é baseada em números da economia divulgados nas duas últimas semanas pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o IBGE, o indicador do PIB para o segundo trimestre deste ano apresentou crescimento em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas o PIB brasileiro apresentou redução de 0,12% no ano passado. O documento da CNI destaca que essa foi a primeira retração, após cinco anos de crescimento, período que a economia evoluiu em taxa média de 4,2% ao ano.
A CNI analisa que a expectativa de crescimento zero do PIB para 99 mostra a prevalência desde o final de 97 ‘‘de uma economia estagnada e enseja uma reflexão a respeito do potencial de crescimento desperdiçado nestes dois últimos anos’’.
O documento trabalha com uma suposição de que, se a economia brasileira tivesse mantido desde 96 a taxa média de crescimento do período 93/97, o PIB do País ao final deste ano seria 11% maior do que o esperado atualmente, ultrapassando R$ 1 trilhão. De acordo com essa avaliação, o PIB ‘‘per capita seria superior a R$ 6 mil, provocando crescimento do consumo e reduzindo a parcela da população abaixo da linha de pobreza.
O Informe Conjuntural conclui que a perda de dinamismo da economia brasileira tem clara relação com a crise financeira internacional iniciada no final de 97. O documento avalia também que é notória a deterioração das contas públicas brasileiras a partir da estabilização.
‘‘A crise financeira internacional afetou o Brasil, dificultando o financiamento externo, com juros e déficits em conta corrente cada vez mais elevados, não somente pela redução generalizada da liquidez internacional, mas, sobretudo, pelo crescente desequilíbrio fiscal que acentuava a percepção de um significativo risco país’’, diz o documento.
A CNI avalia que a economia deve ser menos dependente do fluxo de recursos externos e, para isso, precisa se tornar mais competitiva. O documento destaca ainda a necessidade das reformas tributária, administrativa e da Previdência e da aprovação da lei de responsabilidade fiscal para a promoção do equilíbrio de longo prazo no setor público.
A CNI destaca ainda que a expectativa para agosto é que a inflação dos preços no varejo mantenha-se no mesmo patamar que no mês de julho, em torno de 1%. Esse índice, segundo o informe, ainda está registrando o impacto do aumento dos preços dos combustíveis, compensando parcialmente o comportamento favorável de alguns grupos de despesas, tais como vestuário. Para setembro, a CNI avalia que os preços ao consumidor devem apresentar taxas inferiores às de agosto, em torno de 0,5%.
Com relação aos preços industriais, a expectativa da confederação para setembro é de taxas ainda elevadas, entre 1% e 1,5%, o que seria resultado da finalização do processo de absorção dos maiores custos energéticos e dos impactos nas diversas cadeias produtivas dos aumentos dos insumos intensivos em energia, como químicos, plásticos e papel.

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