País precisa produzir cafés especiais
Raquel Massote
Agência Estado
O Brasil terá que investir muito na qualidade do café se quiser ampliar sua particição no mercado internacional. E fazer uma marketing profisisonal. Não basta ter qualidade, tem que mostrar qualidade. Estas são as principais conclusões do estudo realizado pelo Programa de Estudos dos Negócios Agroindusriais (Pensa) da Fipe divulgados na Jornada Café com Leite, ontem em Belo Horizonte.
De acordo com a pesquisadora Maria Sylvia Saes, foi traçado um cenário desejável para os próximos dez anos nos quais o consumo mundial cresceria 1,5%, o equivalente a uma produção de 120 milhões de sacas, sendo 20 milhões de café arábica. Neste panorama, o Brasil poderia ter uma participação de 25%, ou 40 milhões de sacas, sendo 15 milhões de sacas destinadas ao mercado interno. Este mercado, terá uma faixa de consumidores dispostos a pagar mais por produtos orgânicos e novos tipos de bebida, voltados para os jovens.
No entanto, alguns pontos ainda dificultam o cumprimento destas metas como a dificuldade em coordenar o sistema para oferecer diferentes qualidades e a irregularidade da oferta do produto, com a variação da produção ao longo dos últimos dez anos. Os estoques são pouco utilizados par manter a estabilidade das exportações, disse.
Entre as principais oportunidades identificadas para o aumento da competitividade do café brasileiro esta o crescimento do consumo de cafés especiais no mundo. Apenas nos Estados Unidos no ano passado as vendas no varejo de grãos especiais somaram US$ 2,1 bilhões e as bebidas prontas US$ 3,3 bilhões. A importação de cafés especiais no mercado americano no ano passado chegou a 3,4 milhões de sacas, sendo que o Brasil participou com apenas 5% do total.
Dessa forma, Sylvia Saes acredita que o Brasil tem condições de produzir as especialidades, desde que os produtores comecem a divulgar o produto para o consumidor brasileiro, busquem o equilíbrio estável para a safra e promovam ações conjuntas para o desenvolvimento de estratégias, visando a valorização do café do Brasil. A outra dificuldade e a concentração do mercado varejista brasileiro, no qual 60% das vendas são realizadas para grandes supermercados.
Outros obstáculos impostos ao produto brasileiro são as tarifas de importação empregadas por alguns países como os pertencentes a comunidade européia, cuja taxa para o café brasileiro chega a 3,3% e para o café solúvel de 10,5% ate o final deste ano e 9% no inicio do ano 2000.





