Londres - Autoridades brasileiras estão em situação difícil na macroeconomia. Essa é a avaliação dos analistas da gestora Schroders. "Diante da proximidade das eleições, crescimento em desaceleração, inflação alta, deficits gêmeos (em conta corrente e fiscal) e um possível rebaixamento de rating, o governo enfrenta sérias restrições em sua capacidade de lidar com essas questões via ferramentas convencionais", dizem os economistas da casa, ao comentar que as perspectivas de curto prazo para o Brasil "não são brilhantes".
Em documento enviado aos clientes da gestora de recursos, os economistas da casa fizeram uma análise pouco otimista sobre a economia brasileira. "A política fiscal expansionista aumentaria a inflação, aceleraria a deterioração das contas públicas e aumentaria o risco de um rebaixamento de crédito. Combater a inflação vai exigir prejudicar o crescimento e o emprego, o que pode causar ressentimento em tempos de eleição", dizem os analistas da Schroders.
A Schroders prevê que a economia brasileira vai terminar o ano com crescimento de 2,4%. Em 2014, mesmo com as eleições e a Copa do Mundo, o ritmo do Produto Interno Bruto (PIB) vai desacelerar para 2,1%. Em 2015, o ritmo volta a crescer para 3%. Com relação à inflação ao consumidor, a casa prevê alta de 6,2% em 2013, 6% em 2014 e 5,7% no ano seguinte.
"As reformas estruturais, uma solução de longo prazo para muitos problemas, são igualmente venenosas para as perspectivas de reeleição", completam os analistas da casa, ao comentar que autoridades brasileiras estão em uma posição "nada invejável".
Dois desses pontos que exigem reformas são as contas públicas e transações externas. "Como um dos 'Cinco Frágeis' - junto com a Índia, Indonésia, Turquia e África do Sul -, o Brasil foi punido fortemente quando os temores sobre o relaxamento quantitativo nos Estados Unidos atingiram o pico. Isso é reflexo do pobre resultado em conta corrente e da situação fiscal. Esses problemas ainda não foram resolvidos", diz a Schroders. "Neste momento, a dívida do País está apenas dois patamares acima da classificação de 'junk' e o espaço fiscal do Brasil é bastante reduzido".
Diante do quadro delicado, a gestora de recursos acredita que o Brasil terá cada vez menos espaço para a política fiscal expansionista - classificada como "populismo". "Parece haver menos espaço para o populismo fiscal antes das eleições de outubro do próximo ano, o que vai retirar algum apoio ao crescimento. Com um sinal antecipado disso, o governo anunciou que acabará com algumas isenções para bens de consumo", dizem os economistas, ao prever que essas medidas devem desacelerar o consumo.

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