São Paulo O presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (Anut), Paulo Manoel Lenz César Protasio, estima que o Brasil precisa investir R$ 15 bilhões para diminuir gargalos logísticos e ampliar a capacidade de armazenagem e de escoamento de produtos agrícolas. A entidade acredita que, na área de transporte, R$ 11 bilhões são necessários para obras emergenciais. Protásio foi um dos palestrantes, ontem, do 3º Fórum da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), em São Paulo, que teve como tema ''Infra-Estrutura e Logística do Agronegócio''.
O presidente da Kepler Weber, Othon Abreu, afirmou que o Brasil exportou 56 milhões de toneladas de grãos no ano passado e a capacidade de armazenagem e escoamento foi de 40 milhões de toneladas. Existe, portanto, um déficit de 16 milhões de toneladas na capacidade logística.
Abreu estima a necessidade de aumento anual da ordem de 560 mil toneladas na capacidade de escoamento e armazenagem. ''Se isso fosse feito, poderíamos zerar o déficit somente em 2012''. Segundo ele, a safra tem crescido na ordem de 5% ao ano desde os anos 90 e a capacidade de armazenagem não cresce na mesma medida. Ele lembra que o setor de agribusiness e o governo têm dificuldades para investir em novos terminais e muitos produtores continuam a usar os caminhões como armazéns ambulantes.
Segundo Paulo Protasio, o governo federal conseguirá aplicar na infra-estrutura de transportes cerca de R$ 3,8 bilhões entre 2005 e 2006. ''Não apenas faltam recursos, mas também existe dificuldade do governo de executar os projetos'', declarou.
Conforme dados da Anut, os custos logísticos no Brasil representam 16% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em outros países essa porcentagem não passa de 10%. De acordo com ele, a falta de estrutura governamental, a burocracia e a lentidão na aplicação de projetos co mo Parcerias Público-Privadas são os principais entraves.
O dirigente defende a formação de um fórum nacional reunindo o empresariado e membros do governo para fazer deslanchar projetos que considera essenciais, como as obras na BR-163 (Cuiabá-Santarém). ''Estamos numa contagem regressiva para realizar esses investimentos. Isso não pode ir além de 2008, senão será um desastre econômico'', alertou.

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