País precisa de 37 milhões de t de milho
Vânia Casado
De Curitiba
O Brasil vai precisar produzir entre 36 milhões a 37 milhões de toneladas de milho no ano 2.000 para suprir as necessidades de consumo e recuperar os estoques, que são os mais baixos da história. Com isso, o quadro de comercialização da próxima safra é favorável, afirmou ontem, o analista Paulo Molinari, da agência Safras e Mercados, durante teleconferência sobre as principais commodities no ano 2.000, para orientar na decisão de plantio.
A teleconferência foi patrocinada pela Faep, que quer reverter a tendência do produtor que costuma se orientar pelo comportamento da safra passada. A orientação da entidade, daqui para frente, é que o produtor tenha mais acesso à informação sobre o mercado futuro para decidir o que plantar. A justificativa é que quando uma cultura está com preço favorável num ano, normalmente ocorre um excesso de plantio e a oferta abundante derruba as cotações, frustrando os produtores.
Recuperação dos preços Para a safra do ano 2.000 a expectativa é que a comercialização seja um pouco mais favorável aos produtores na visão dos analistas da Safras e Mercados. A impressão que fica é que o país começa a sair do período mais difícil e que a recuperação do mercado internacional, ainda que lenta, deve beneficiar a produção.
Para Molinari, as cotações do milho na próxima safra deverão permanecer em alta, apesa da baixa liquidez do grão, ressaltou. Isso porque, além de os estoques de milho no Brasil - em torno de 1 milhão de t - serem os menores dos últimos 15 anos, Estados Unidos e Argentina, tendem a plantar mais soja do que milho no ano que vem. Nos Estados Unidos, os produtores continuam amparados peços mínimos da soja, fixados em US$ 5,26 por bushell, que correspondem a US$ 11,60 a saca. Já com o milho, o clima é que vai decidir o mercado do grão.
A Argentina vem reduzindo sua área de milho. Deverá produzir 13,8 milhões de t, quando chegou a produzir 19 milhões de t na safra 97/98. No mercado interno, a cultura também deve se beneficiar a expansão da avicultura, um setor que continua em crescimento no país, salientou Molinari.
Soja Em relação à comercialização da soja no ano que vem, a expectativa é que o quadro de preços deprimidos continua, se não houver uma mudança forte do lado da oferta da commoditie. Segundo o analista Flávio França Júnior, o mercado já trabalha com uma quebra de 3% na produção de soja dos EUA em função do quadro de seca e altas temperaturas, que permanece pela terceira semana consecutiva, ter atingido 40% da área plantada. Ocorre que essa quebra corresponde a 2,4 milhões de t, que pouco interfere na formação de preço da commoditie, salientou. Segundo ele, somente a partir de uma quebra de 10 milhões de t, o mercado pode ter alguma alteração, explicou.
Com base em expectativas conservadoras, França Junior salientou que o preço da soja deverá permanecer oscilando entre US$ 4 e US$ 5/bushell no segundo semestre de 99 e entre US$ 4,40 e US$ 5,40/bushell no primeiro semestre do ano 2.000. Segundo o analista, o produtor deve considerar que a previsão é de redução na produção de soja no Brasil e demanda aquecida no mercado interno, no ano que vem. Ele finalizou, afirmando que o mês de agosto será decisivo na definição do tamanho da safra norte-americana, fator que vai influenciar no preço da commoditie no ano 2000.





