Rio de Janeiro – O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, afirmou ontem que o País tem todas as condições de retornar à realidade de 2000, com crescimento econômico e inflação e juros em queda. ‘‘Depois do grande teste de 2001, quando essa trajetória foi interrompida por um ano repleto de acidentes, podemos retornar ao que tínhamos em 2000’’, disse Fraga, que fez palestra no seminário sobre ‘‘Integração e Competitividade’’, no Rio, e deixou o evento sem dar entrevistas.
Em sua exposição, ele argumentou que o Brasil apresenta hoje todas as condições para entrar num círculo macroeconômico virtuoso e que acredita na continuidade desse processo. ‘‘A bola está na área, não vejo ninguém chutando para fora, sem querer fazer gol. Existem idéias diferentes, mas isso é bom’’, afirmou. E citou como principais avanços macroeconômicos do atual governo o controle da inflação; a conquista de uma regulação mais eficiente para as instituições financeiras; maior responsabilidade fiscal; e adoção do sistema de flutuação cambial para superar as crises no câmbio.
‘‘Flutuação cambial e atuação mais agressiva no mercado internacional são um dos pilares para o desenvolvimento’’, disse. Segundo ele, se o Brasil preservar essas conquistas estruturais, será capaz de reduzir gradualmente o grau de risco e atrair mais investimentos externos e internos. ‘‘Isso será consolidado se tivermos o mínimo de continuidade no próximo governo. Tenho uma visão positiva quanto a isso’’, disse.
Fraga reafirmou que o controle da inflação é a prioridade do banco. ‘‘No BC, entendemos que a sociedade exige de nós a preservação da estabilidade da inflação. O papel básico é este. Desvios dessa trajetória saem caro e acabam aumentando a taxa de juros, e não o oposto.’’
Fraga disse que aceitaria permanecer à frente do banco após a sucessão presidencial, se o Congresso aprovar a independência do BC e o presidente Fernando Henrique Cardoso indicar seu nome para o período de transição. ‘‘Se for aprovada uma nova lei com um mandato de transição ou algo assim, eu colaboraria, mas não é saudável para alguém na minha posição ter essa preocupação. Tenho sido muito disciplinado e evitado sair do meu dia-a-dia.’’

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