País pode ter R$ 1,8 bi da UE para despoluição
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O Brasil poderá captar, a partir de 2008, cerca de R$ 1,8 bilhão em investimentos da União Européia para o desenvolvimento de tecnologias de criação de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), ou seja, para a diminuição da emissão de carbono na atmosfera. A previsão é do doutor Thierry Dudermel, conselheiro responsável pelo setor de meio ambiente da Comissão Européia em Brasília. Dudermel esteve ontem em Londrina para participar do 1º Simpósio Brasileiro sobre Fixação de Carbono em Sistemas Agrícolas e Terrestres.
A diminuição da emissão de poluentes é um compromisso assumido pelos países ricos no Protocolo de Kioto, assinado em 1997 para a defesa de interesses ecológicos. A criação dos chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo é uma das medidas previstas pelo protocolo. Cada tonelada de carbono retirada ou que deixou de ser emitida na atmosfera poderá ser negociada no mercado mundial, por preços que variam entre R$ 35,00 e R$ 70,00.
De acordo com Dudermel, a Europa deve iniciar seus projetos de investimentos e troca de créditos de carbono a partir de 2005. ''Muitos países já não têm como destinar verbas para a recuperação de florestas ou para a troca de fontes de energia poluentes por não-poluentes. Por isso, essees investimentos são direcionados para outras áreas onde isso ainda é possível. Assim, as metas estabelecidas pelo protocolo para a redução de poluentes podem ser cumpridas por um país mesmo fora de suas fronteiras'', explica Dudermel.
Nesse ponto começa a participação do Brasil. Para o conselheiro, o País ainda tem um enorme potencial para investimentos em tecnologia limpa. ''Com isso, ganha o Brasil, que recebe dinheiro para pesquisa e receptação de novas tecnologias, e ganha a Europa, que acumula créditos de carbono''. No Velho Continente, as alternativas mais usadas para a diminuição da emissão de poluentes têm sido a troca de energia térmica por eólica.
Os investimentos em desenvolvimento de MDLs pela UE fora do continente devem se iniciar em 2008. Com a demanda por créditos de carbono beirando as 600 milhões de toneladas, estima-se que os países europeus precisem investir pelo menos R$ 18 bilhões. O Brasil deve captar pelo menos 10% desse valor.
Projetos de reflorestamento também podem ganhar verbas, embora sejam vistos com receio pela comunidade européia. ''A biomassa produzida por florestas, uma hora ou outra vai acabar voltando para a atmosfera em forma de carbono. Além disso, não adianta plantar em uma região e desmatar em outra'', explica o conselheiro. Por isso, Dudermel explica que essa área só ganhará investimentos da UE se o Brasil intensificar seus programas de fiscalização de matas.
A inclusão da mata nativa nos programas de crédito também deve ser descartada pela UE. Segundo Dudermel, questões de soberania nacional impedem que o Brasil ceda à Europa os créditos conquistados pela fixação de carbono com a mata atlântica e a floresta amazônica.


