País pode ter novo milagre, diz Ipea
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Ed Ferreira/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Novo milênioO presidente do Ipea, Fernando Resende, e o ministro Antônio Kandir, no lançamento do relatório Brasil 2006Aprovadas as reformas na Constituição e mantida a atual política para a economia, o País tem condições de repetir nos próximos dez anos o milagre econômico da década de 70, com crescimento de renda e redução do desemprego, garante o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernando Rezende. A previsão do novo milagre está detalhada no documento O Brasil na Virada do Milênio, divulgado ontem por Rezende e pelo ministro do Planejamento, Antônio Kandir.
O sucesso da política econômica, porém, vai depender profundamente do humor dos investidores estrangeiros, alerta o Ipea. Só com a manutenção dos atuais investimentos externos será possível sustentar o enorme déficit nas contas do País com o exterior, que deve ficar acima de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos.
Pelas previsões do Ipea, o déficit em contas correntes (que registra as transações do País com o exterior, incluindo o comércio exterior e os pagamentos de serviços, como juros e despesas de turismo) não será menor que 4,2% do PIB (acima de US$ 35 bilhões) anuais até o ano de 2002. O sucesso da trajetória de crescimento depende do desenvolvimento sem sobressaltos da economia mundial, alertam os economistas do instituto, para quem a crise recente nos países asiáticos ainda não assusta, porque não interrompeu a entrada maciça de recursos externos no Brasil.
Para chegar a 2006 com crescimento anual de 7%, será preciso aumentar a produtividade da indústria, avisam os técnicos. Enquanto hoje o aumento de produtividade é responsável por pouco mais de um quarto do crescimento anual da economia, na próxima década, segundo o Ipea, a produtividade responderá por 65% do crescimento do PIB.
Esse aumento de produtividade não vai se dar sem a participação do governo. Uma das conclusões do Ipea é de que, para garantir o desenvolvimento tecnológico da indústria, o governo precisará apoiar a produção de máquinas e equipamentos (o chamado setor de bens de capital), criando mecanismos de financiamento e de incorporação de tecnologia.
Os economistas do Ipea acreditam ser possível um forte aumento nos investimentos, que passariam dos atuais 16% do PIB para 25% ao fim dos próximos dez anos, e com um crescimento sustentado nas exportações. Para confirmar o quadro previsto pelos economistas do Ministério do Planejamento, as exportações terão de crescer entre 7% e 7,5% ao ano até o final dos anos 90, e aumentar cerca de 12% entre 2000 e 2002. Essa é uma trajetória possível, se levarmos em conta que em 97 as exportações já estão crescendo 9%, justificou Kandir.
Os empresários poderão contar com a redução nos juros, para menos de 13% ao ano a partir de 1998, na avaliação do Ipea. A queda será garantida à medida em que o governo conseguir equilibrar suas contas, beneficiado com as reformas administrativa (que reduzirá o custo de pessoal) e previdenciária.


