País pode ter índice de preço 'expurgado', diz Pedro Malan
Agência Folha
Do Rio de Janeiro
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem, em palestra na FGV (Fundação Getúlio Vargas), esperar que o Brasil caminhe breve para ter um índice de inflação expurgado de preços de alta volatilidade como os do petróleo e dos hortifrutigranjeiros.
Esse índice passaria a ser usado como medida para a meta de inflação, atual âncora do Plano Real. Malan disse que o índice expurgado desses fatores já é adotado em países que utilizam as metas de inflação como âncora monetária. O sistema é usado, entre outros, na Inglaterra e Austrália.
De acordo com o ministro, esse novo índice não pode ser usado agora no Brasil por um problema de credibilidade. O histórico recente do Brasil, afirmou, poderia levar ao pensamento, não de todo destituído de razão, de que haveria manipulação na elaboração do índice expurgado.
Após a palestra, ante a insistência dos jornalistas por mais detalhes, o ministro disse que não vai haver expurgo e que o novo índice só seria adotado daqui a cinco anos. Como as metas de inflação já estão fixadas até 2001, o governo só poderia modificar o índice a partir de 2002, e teria, para isso, que anunciar a mudança em junho do ano que vem, com dois anos e meio de antecedência, explicou o diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang.
O economista Paulo Sérgio Cota, chefe do Centro de Estatísticas de Preços da FGV, disse que a denominação correta do índice expurgado é núcleo da inflação. Se adotado a partir de 2002, quando a meta de inflação do país tenderia a 2%, ele evitaria que oscilações bruscas de preços voláteis comprometessem a meta e obrigassem o Banco Central a mexer na taxa de juros, prejudicando o nível de atividade econômica.
Para o economista Fábio Giambiagi, do BNDES, se as regras de exclusão de preços de alguns produtos do núcleo de inflação forem claras, sistemáticas e não pontuais, a política de adotar um índice expurgado é perfeitamente defensável.
Sérgio Werlang informou também que, a partir do próximo relatório trimestral do Banco Central sobre inflação, que sairá em setembro, o governo passará a divulgar uma projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos próximos doze meses. Não é meta de PIB. Seria incompatível trabalharmos com duas metas , disse.
Werlang disse ainda que o Banco Central pretende usar um índice de inflação mais simples para acompanhar o comportamento dos preços num prazo mais curto.
Também presente à FGV, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, disse, respondendo a uma pergunta sobre a política monetária, que o BC não hesitará em aumentar a taxa de juros se isso for necessário em algum momento.





