Londres - Ao contrário das inúmeras promessas de que os grandes eventos esportivos dariam impulso à economia brasileira, cresce a sensação de que vai dar zebra na economia em 2014. Mesmo com a Copa do Mundo, a já fraca atividade econômica deve desacelerar ainda mais no próximo ano. Levantamento do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, mostra que nas últimas três décadas apenas três países que sediaram o mundial de futebol tiveram desaceleração da economia no ano da Copa: México em 1986, Itália em 1990 e Japão em 2002. Pelas previsões cada vez mais pessimistas, o Brasil completará o time dos países com economia na retranca.
Diante de sinais de fraqueza da economia, alta dos juros e ameaças que vão das finanças públicas às contas externas, economistas estão apreensivos. Previsões para 2014 ignoram as promessas sobre o impacto positivo da Copa do Mundo na economia brasileira e, a menos de 200 dias do evento, prevalece a aposta de que o ano que vem será pior que 2013 em termos de crescimento da atividade econômica. A mais recente pesquisa Focus do Banco Central mostra que o mercado aposta que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2,50% este ano e reduzir o ritmo para 2,11% no próximo ano. Após o decepcionante dado do PIB do terceiro trimestre conhecido esta semana, as apostas devem piorar e caminhar para perto de 2% em 2013 e menos de 2% no próximo ano.
Com tal cenário, o Brasil deve se juntar ao pequeno grupo de países cuja economia piorou no ano da Copa. Levantamento feito pelo Broadcast mostra que isso só aconteceu três vezes nas últimas três décadas. Em 1986, o PIB do México teve retração de 3,8%, pior que o crescimento de 2,6% um ano antes do mundial. Em 1990, a Itália cresceu 2%, menos que os 3,4% do ano anterior. Outro caso foi o Japão, que avançou 0,3% em 2002, menos que o 0,4% do ano anterior.
Em todos os demais países que sediaram a Copa nas últimas três décadas, a economia ganhou velocidade no ano do evento: Espanha em 1982, Itália em 1990, Estados Unidos em 1994, França em 1998, Coreia do Sul em 2002 (que dividiu a organização do torneio com o Japão), Alemanha em 2006 e África do Sul em 2010.
Levantamento do banco Credit Suisse confirma essa fraqueza brasileira. Ao comparar o crescimento do PIB dos países-sede no ano da Copa contra a média mundial, o banco suíço também mostra que o Brasil decepciona. Em 2014, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia global deve crescer 3,6%. O Brasil, pelas contas do mercado, crescerá algo em torno de 2% ou até menos.
Com esse desempenho, o Brasil se junta ao grupo composto por Espanha, México, Itália e Japão. Nas últimas três décadas, esses países também sediaram o mundial e cresceram menos que a média mundial no ano do evento. O levantamento do Credit Suisse mostra que, ao contrário, EUA, França, Coreia do Sul, Alemanha e África do Sul cresceram mais rápido que a média mundial nos anos em que foram palco da disputa da Copa do Mundo.
Nem a atração de turistas parece ser relevante. Ao comparar a receita com turistas estrangeiros nas copas da Itália (1990), Estados Unidos (1994), França (1998), Coreia do Sul e Japão (2002), Alemanha (1998) e África do Sul (2010), o Credit Suisse diz que o evento "não teve impacto significativo sobre as receitas de turismo" nesses países.

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