País pode sofrer prejuízo
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Agência Estado 
São Paulo A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês) acredita que a deterioração das relações políticas e diplomáticas entre os EUA e a França por causa da decisão de Washington de atacar o Iraque prejudicará significativamente as negociações comerciais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). E, no meio disso tudo, o país mais prejudicado será o Brasil, principalmente na área agrícola, onde o País vem depositando suas maiores fichas para abrir, de vez, os mercados desses dois países, considerados entre os mais protecionistas do planeta.
''Temo que as relações bilaterais entre os EUA e França possam ficar ainda mais delicadas do que estão agora e, com isso, as negociações agrícolas no âmbito da OMC, que no momento já estão praticamente interrompidas, não sejam retomadas na reunião ministerial de Cancun (México), agora em setembro deste ano'', disse o secretário geral da Unctad, embaixador Rubens Ricupero.''Isso vai atingir duramente o Brasil.''
Para o embaixador, se não houver sinais de reconciliação entre esses dois países, mesmo que a guerra EUA/Iraque tenha curta duração, as negociações comerciais multilaterais serão as mais prejudicadas. Além disso, acrescentou Ricupero, ''a guerra pode trazer graves problemas para economias em desenvolvimento, como o Brasil, que vêm lutando para ajustar as suas economias às exigências do FMI''.
O embaixador lembrou que fica difícil imaginar, por exemplo, como será o encontro entre os presidentes norte-americano, George W. Bush, e francês, Jacques Chirac, durante a reunião de cúpula do G-8, marcada para junho na França, se não houver uma reconciliação até então. O embaixador disse que a reconciliação entre Bush e Chirac é de interesse dos EUA e da França, mas duvida até que ponto os dois líderes estão dispostos a colaborar para atingir esse objetivo.


