O Brasil poderá sair da situação de racionamento para excesso de energia elétrica já a partir de 2003 devido à conjugação de vários fatores. As chuvas que deixaram de cair em 2001 estão sendo generosas este ano e 2002 poderá ser um dos cinco anos mais ‘‘molhados’’ no período de 70 anos de registro do regime pluviométrico brasileiro. O mês de janeiro deste ano só perdeu para as chuvas de 1963 e de 1940 e fevereiro mantém um ritmo excelente em relação à média histórica.
Outro ponto favorável é que as chuvas estão caindo no ‘‘lugar certo’’, ou seja, na região sudeste e centro-oeste, onde estão os maiores reservatórios, conforme acompanhamento do Operador Nacional do Sistema (ONS), responsável pela administração da oferta do sistema elétrico brasileiro.
O ano de 2001 foi o décimo-primeiro pior ano da história, ficando 21% abaixo da média, e as chuvas se concentraram no Sul e no Norte, onde os reservatórios são menores. Outro aspecto que está transformando o quadro de escassez para um regime de abundância resulta dos pesados investimentos que estão sendo realizados no setor de energia, especialmente pelo setor privado.
A previsão do Ministério das Minas e Energia é que o País investirá R$ 43,4 bilhões no setor entre 2001 e 2004, dos quais 78,5% de responsabilidade do setor privado. O diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e coordenador do Comitê de Revitalização do Setor Elétrico, Octávio Castelo Branco, garante que o banco financia qualquer projeto viável no setor. Com isso, a capacidade de geração atingirá 103,7 mil MW em 2004, o que consolida o Brasil num dos maiores parques geradores do mundo, com expansão de quase 40% em relação aos 75 mil MW existentes no final do ano passado.
Pelos dados da Eletrobrás, o País já tem a quinta maior capacidade de geração do mundo só perdendo para Estados Unidos (900 mil MW), Alemanha (115 mil MW), França (110 mil MW) e Inglaterra (75 mil MW). Em termos per capita, porém, o País consome cerca de 2.000 KWh por ano, enquanto os norte-americanos consomem 12 mil KWh e a média dos países ricos da Europa como Alemanha, França e Inglaterra está em torno de 6.000 KWh/ano, ainda conforme dados da Eletrobrás, o que sinaliza que ainda há grande espaço para crescimento.
A expansão acelerada ocorre em período de forte queda da demanda. Na avaliação dos especialistas do setor elétrico, parte da economia gerada em 2001 será ‘‘permanente’’, ou seja, não voltará mais. Este ano, a demanda máxima de ‘‘carga’’ do sistema elétrico – indicador que afere o pico de consumo e é um dos principais itens acompanhados pelo sistema –, atingiu 46 mil MW. O recorde do País foi registrado no dia 19 de abril do ano passado, quando atingiu 55.845 MW. Ou seja, há um hiato entre o pico deste ano e o recorde histórico de quase 10 mil MW.

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