País pode se tornar redistribuidor de mercadorias
O Brasil pode se tornar em um país ''redistribuidor de mercadorias'', afirma o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina, Valter Orsi. ''O empresário está fazendo seu trabalho de casa, se modernizou e buscou novos investimentos, tudo para baratear a produção, mas para muitos ainda não foi o suficiente para se manter competitivo no mercado. Alguns empresários acabam tendo que aproveitar essa onda de exportações para baratear a confecção de seus produtos e ao invés de fomentar a indústria nacional, tem que importar de outros países. Em outros casos, o prejuízo para o País é ainda pior, pois há empresários que transferem suas produções para a China, por exemplo, e reimportam os produtos para o Brasil, isso tende a enfraquecer cada vez mais o setor produtivo brasileiro'', alerta Orsi.
O crescimento econômico no Brasil, com a ascensão de milhões de pessoas ao mercado de consumo, com o aumento do poder aquisitivo da população, principalmente de classe C, propiciou a realização de um sonho antigo de muitos brasileiros, poder adquirir produtos importados que, com a baixa da moeda americana, deixou os produtos ainda mais atrativos para o consumidor.
Lutando contra esta realidade, a indústria nacional em todos os segmentos sofre para se manter competitiva frente ao crescimento frenético das importações. Mesmo com as tentativas do Governo para tentar frear os produtos que vêm de fora, o incentivo as exportações está aquém do esperado para alavancar uma reação significativa da indústria nacional.
Nesse tsunami provocado pela política atual, a formação intelectual de alguns grupos profissionais também é prejudicada, uma vez que se investir na capacitação deles, como engenheiros, químicos e até mesmo os técnicos de produção, com o tempo deixará de ser uma necessidade, uma vez que o ''setor produtivo do país tenderá cada vez mais a diminuir e estaremos no futuro, fadados a sermos um país distribuidor de mercadorias'', disse Orsi. ''Essa realidade é muito perigosa, pois estamos dando a oportunidade para que outros países desenvolvam a tecnologia de produção, enquanto isso, o nosso setor intelectual produtivo, nossa massa crítica deixa de ser incentivada. Se essa realidade perdurar por muito mais tempo, quando o Governo acordar para esse prejuízo, estaremos atrasados muitos anos em relação a outros países, tanto em tecnologia quanto em mão de obra qualificada.''
Diante deste cenário difícil para a indústria brasileira, Valter Orsi sustenta que o Governo Federal deveria tomar providências urgentemente tanto na infraestrutura do transporte de cargas do País quanto na redução da carga tributária, que há anos é exigida pelos empresários. ''A presidenta Dilma, conforme acompanhamos nos noticiários, está estudando a questão que envolve a logística da produção nacional, entretanto, isso é pouco. A produção brasileira necessita que seja feita urgentemente uma revisão nos impostos, investimentos pesados na logística nacional que envolvam desde a melhoria das estradas, ferrovias e modernização dos portos, incentivo para a exportações e além disso, investir ainda mais na formação de profissionais qualificados para melhorar nossa produção'', finalizou Orsi.
O presidente do Sescap de Londrina, Marcelo Odetto Esquiante, diz que a Federação Nacional dos Contabilistas e diversas outras entidades têm pressionado para que o governo faça uma reforma tributária significativa, para desonerar o setor produtivo. ''Percebemos que o momento brasileiro é bom, mas ocorre que se não tomarmos algumas medidas, como a redução da carga tributária, o País poderá sofrer consequências graves com o processo de desindustrialização. O temor é que passemos a ser um país cada vez mais importador de produtos e, para a consolidação econômica do País, isto é muito perigoso'', disse Esquiante.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





