A Embrapa Soja recebeu ontem na sua sede em Londrina o representante-chefe da da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) no Brasil, Katsuhiko Haga, para tratar de uma parceria entre as instituições acerca de um projeto de pesquisa para o desenvolvimento de uma soja tolerante à seca, que teve início em março deste ano. Além da Embrapa, o trabalho também é conduzido pelo Japan International Research Center for Agricultural Sciences (Jircas), com prazo de cinco anos e com a possibilidade de lançar linhagens comerciais da semente.
Segundo Hara, a cooperação técnica entre Brasil e Japão está completando 51 anos e desde a década de 1970 a relação se estreitou, inicialmente com a Embrapa Cerrados. ''O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo e estamos muito honrados da oportunidade de cooperação. A expectativa é que possamos melhorar a produção do grão atuando em conjunto'', ressaltou o representante da Jica.
Durante o projeto, a Agência vai oferecer bolsas de estudos para pessoas com os mais diferentes níveis de instrução - de técnicos de laboratórios a pós-doutores -, equipamentos e toda a sua manutenção. ''Neste cenário de mudanças climáticas, esses resultados serão importantes para os produtores brasileiros. É uma estratégia que será realizada contra a seca'', avaliou Alexandre Cattelan, chefe-geral da Embrapa Soja.
Tal pesquisa para o desenvolvimento do produto tolerante à seca iniciou em 2003, quando foi assinado um acordo de transferência para a Embrapa Soja de genes que conferem maior resistência à seca e ao calor, na qual a patente pertence ao Jircas. ''Não é um trabalho simples criar essa resistência. Estamos utilizando a engenharia genética como uma das estratégias'', comentou Alexandre Lima Nepomuceno, um dos pesquisadores que estão frente ao projeto.
Nepomuceno explicou ainda que o projeto é ampliado para outros genes, que desenvolvem mecanismos naturais contra a seca. As linhagens promissoras são testadas sob condições climáticas controladas em casa de vegetação e a campo, para a avaliação das respostas fisiológicas e agronômicas. As técnicas de biotecnologia utilizadas seguem todos os procedimentos de biossegurança exigidos. ''Até 2015, podemos ter linhagens transgênicas que podem gerar linhagens comerciais. Estamos trabalhando com cerca de 20 pessoas aqui na Embrapa, sendo que este intercâmbio é interessante para nós e também os japonenses. Até agora, já enviamos oito pesquisadores para o Japão'', finalizou o pesquisador da Embrapa.

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