O Brasil deve produzir de 34,1 milhões a 37,47 milhões de sacas de café na safra 2004/2005, que começa a ser colhida em abril do ano que vem. As informações fazem parte da primeira estimativa oficial de safra, divulgada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Os números indicam crescimento de 19,9% a 31,7% com relação à safra anterior, estimada em 28,46 milhões de sacas. O aumento decorre do ciclo bianual da cultura, que em um ano tem alta produtividade e, no próximo, produz menos. Como a próxima safra é a boa, o mercado especulava que o País produziria pelo menos 40 milhões de sacas. Em 2002/2003, o Brasil obteve a produção recorde de 48,48 milhões de sacas.
Sílvio Isopo Porto, diretor de Logística e Gestão Empresarial da Conab, afirmou que a cultura não atingirá seu potencial produtivo por causa do baixo nível de adubação, tratamento fitossanitário insuficiente e práticas culturais inadequadas. Descapitalizados pelos baixos preços do café, os produtores investiram menos em tratos culturais durante 2003, o que reflete em menor produtividade da safra posterior.
O corretor Marcos Bacceti, de Londrina, afirmou que, historicamente, a divulgação de uma estimativa oficial menor do que a especulada pelo mercado melhora a cotação do produto. ''Há possibilidade de recuperação dos preços'', comentou.
Ontem, a bolsa de Nova Iorque fechou com 155 pontos de baixa após quatro dias consecutivos de alta. ''Com as informações do Brasil, esse cenário pode ser revertido'', acredita. No mercado interno, o café continuou cotado a R$ 165,00 por saca, sem compradores ou vendedores disponíveis a fechar negócios.

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