País pode não renovar com o FMI
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quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Brasil pode não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), disse ontem o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, durante sua estada em Curitiba. ''Essa decisão deve ser adotada até março do ano que vem mas a intenção do governo é não renovar'', afirmou.
Meirelles proferiu palestra sobre Desafios da Globalização - Construindo o Brasil do Futuro - durante o 15º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), que será encerrado hoje. O presidente do BC falou pouco com a imprensa, alegando pressa para ir a São Paulo de onde partiria para Washington para acompanhar o ministro da Fazenda Antonio Palocci na reunião anual do FMI.
Nas poucas palavras que trocou com os repórteres respondeu à correspondente do jornal argentino Clarin, a intenção do governo em não renovar o acordo com o Fundo. Porém não deu mais detalhes e também não quis comentar o relatório do BC divulgado ontem, que fez uma revisão das metas de inflação para este ano. Durante a palestra, ele salientou os indicadores positivos da economia brasileira, reforçando que o Banco Central vai recorrer à política de juros toda vez que precisar controlar a inflação.
De acordo com Meirelles, não há país que tenha crescido de forma sustentada com inflação alta porque essa situação desorganiza toda a economia. Citou o exemplo de Cingapura que no período de 1990 a 2003 cresceu 6,2% ao ano e teve inflação de 1,5% anual no período.
Fatores de risco - O fator que pode barrar o potencial de crescimento das economias e que está no foco das preocupações de acordo com Meirelles, é a escalada do preço do petróleo. Segundo ele, nem mesmo os analistas mais experientes arriscam prever quando pode chegar a alta do barril de petróleo. Eles têm uma certeza, ''abaixou de US$ 30 o barril não volta'', afirmou. Outra preocupação é a intenção do governo chinês reduzir o ritmo de crescimento de sua economia sem promover crise interna, mas que certamente vai afetar os parceiros.
Outro aviso de Meirelles aos executivos de finanças presentes ao encontro, é com o fator de risco que representa o crescimento da dívida pública americana nos próximos anos. Ele acredita que em algum momento os Estados Unidos terá que fazer ajustes importantes na sua política fiscal e isso também deverá afetar os parceiros.
Apesar isso, Meirelles salientou que o Brasil hoje está menos vulnerável à crises externas por causa do crescimento do superávit primário e dos investimentos. O presidente do BC ponderou que as empresas do setor exportador, que é que mais tiveram lucros, precisam confiar no País e investir o lucro acumulado na ampliação de suas estruturas. Meirelles disse que entende a cautela das empresas em não superdimensionar os investimentos para depois ter problemas para frente. Entretanto advertiu que aquelas que não dimensionarem corretamente projetos de expansão correm o risco de perderem participação no mercado.


