País pode ganhar com conflito
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quarta-feira, 19 de março de 2003
Agência Estado 
Londres Quanto mais rápida a guerra no Iraque, melhor para a economia brasileira. Essa é a avaliação de analistas europeus. Para eles, se forem confirmadas as previsões de um conflito de curta duração, sem desestabilizar o abastecimento de petróleo no Oriente Médio, o eventual impacto no Brasil será apenas temporário e limitado.
''Do ponto de vista econômico, é até positivo que a guerra comece de vez'', disse à Agência Estado o diretor do Latibex mercado acionário para empresas latino-americanas da Bolsa de Valores de Madri Jesús González. ''Se as previsões que dominam o mercado se confirmarem e a guerra for mesmo curta, afasta-se o temor de uma alta do petróleo, fator que vinha pesando na avaliação do risco Brasil nos últimos meses.''
González disse acreditar que, uma vez superada a crise no Iraque, a recuperação da confiança dos investidores na economia brasileira poderá ser acelerada.
O pesquisador responsável pelo Brasil na consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), John Bowler, também acredita que um conflito de curta duração não causaria maiores danos à economia brasileira. ''Esse é o cenário mais provável'', disse. ''Mas se tivermos uma guerra longa, com vários danos colaterais políticos e econômicos, os danos para a economia mundial e também para o Brasil poderão ser grandes.''
O analista da EIU alerta que é preciso conter um otimismo exagerado com o provável impacto positivo que uma guerra curta poderia ter sobre a economia global. ''A economia norte-americana enfrenta sérias dificuldades, a Europa tenta afastar o fantasma da recessão e o Japão continua em apuros. Ou seja, com o fim da crise do Iraque, esse quadro preocupante vai reemegir'', disse Bowler.


