País pode elevar exportação de carnes de segunda
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segunda-feira, 02 de abril de 2001
Fabíola Salvador Agência Estado 
O Brasil pode incrementar as exportações de carne bovina mais baratas, como os cortes de dianteiro, para o Irã, os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, afirmou o analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria. Compradores como o Irã e os países do Leste Europeu estiveram bem interessados em importar carne bovina do Brasil nos últimos meses. Com os focos de febre aftosa e de vaca louca na Europa, o Brasil passou a vender para esses compradores, disse.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados pela FNP Consultoria, mostram que as exportações de carne bovina para compradores de produto de qualidade inferior foram significativas nos últimos meses. Só em janeiro, o Irã comprou US$ 7 milhões em carne bovina do Brasil. Num único mês, o país comprou todo volume que importou do Brasil na média dos últimos anos, afirmou. No primeiro bimestre do ano, o Irã importou 5.700 toneladas de carne bovina do Brasil. Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita importaram do Brasil quatro vezes mais que a média anual, explicou.
A Secex mostra que o Brasil exportou 710 t de carne bovina para os Emirados Árabes no primeiro bimestre do ano. No período, as vendas para a Arábia Saudita somaram 3.503 toneladas. As vendas para esses países podem crescer, mas as exportações não crescerão só porque temos um selo de garantia, disse Ferraz, referindo-se à classificação como risco 1 para o rebanho brasileiro, o que significa que há pouco risco de registro da doença da vaca louca no território nacional.
Para a Europa, Ferraz não acredita em incremento das exportações. Num primeiro momento, o certificado não ajudará as vendas para os europeus, pois o consumo de carne bovina caiu muito nos últimos meses. No longo prazo, quando o consumo voltar ao normal e o Brasil tiver uma campanha de marketing, poderemos aumentar o volume exportado, disse. Na sexta-feira, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Carne (Abiec) reafirmou que as exportações em 2001 devem ficar entre 720 mil e 750 mil t.


