País pode duplicar produção de trigo
Oswaldo Petrin
De Londrina
O empresário paranaense Roland Guth é o novo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), um setor forte que reúne cerca de 200 indústrias, a maior parte delas nos Estados do Sul. A eleição de Guth repercutiu positivamente entre paranaenses e gaúchos porque ele tem origem no setor produtivo e na indústria nacional e, por isso, certamente, vai enfocar o setor como um todo, prevêem empresários e cooperativistas.
Ao ser entrevistado por este jornal, esta semana, Roland Guth disse que a Abitrigo tem uma proposta para aumentar o consumo e a produção de trigo, mas isto deve ser discutido entre todos os segmentos do trigo e com setores do governo.
O consumo brasileiro de trigo (farinha e uma enorme gama de derivados) hoje em torno de 50 kg per capita/ano tem muito espaço para crescer, talvez se aproximando dos patamares de Chile e Argentina, quase o dobro disso.
Depois de estacionar alguns anos em 8,5 milhões de toneladas/ano, até o ano passado, em 99 o consumo cresceu ano para 9 milhões de toneladas.
Na estratégia da Abitrigo, o aumento do consumo passa pelo aumento de produção. A Abitrigo não está vendo o segmento industrial isoladamente. O fomento à produção quer atingir a meta de 4 milhões de toneladas em três anos.
Na ponta da produção, há muitas dificuldades, mas há soluções a serem discutidas e viabilizadas. Roland Guth cita problemas e alternativas. Entre esses problemas relaciona o custo Brasil, incluindo impostos. No item custos de produção, um exemplo: um frasco de defensivo aqui no Brasil custa o dobro do equivalente dele lá na Argentina. Fertilizantes, máquinas e sua manutenção têm o mesmo problema.
Por esta razão, representantes de todos os elos da cadeia têm que sentar juntos na hora de discutir um plano para o trigo.
Tecnologicamente há condições para que isso corra, disse Guth, sobre o aumento da produção e da renda do trigo. O que se observa, segundo o empresário, são dificuldades na comercialização, o que não ocorreu este ano porque o preço que produtores conseguiram foi satisfatório. Em média R$ 215 a R$ 220 reais por tonelada. A comercialização fluiu rapidamente para o trigo nacional.
O Paraná produz 1,4 milhão de toneladas. Já chegamos produzir 3,2 milhões de toneladas, foi em 87. A médio prazo, o Paraná pode voltar a esta produção, desde que haja um programa com regras bem definidas. Roland Guth acha que as mudanças na política de produção de trigo no Brasil passam pelo Mercosul.
A Abitrigo deve mostrar sua proposta no início do ano para o ministro da Agricultura. O Ministério da Agricultura também tem um plano, segundo o ministro Pratini de Moraes. Tanto o líder empresarial como o governo têm opiniões convergentes quanto ao aumento da produção. O ministro fala em chegar a 4 milhões de toneladas no ano 2000. A Abitrigo quer chegar a este patamar mas em etapas.





