País pode colher safra menor de café
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sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A safra de café prevista pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) pode não se confirmar. A expectativa oficial é que o País produza, neste ano, entre 27 milhões e 30 milhões de sacas. Representantes do setor produtivo nacional, porém, alertam que a falta de tratos culturais resultará em safra inferior a 25 milhões de sacas.
''Vão sobrar de 6 a 10 milhões de sacas para nossa necessidade de 25 milhões de sacas para exportação'', comentou o produtor Wilson Baggio, presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, da Comissão Técnica de Café da Federeção de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e membro do Conselho Nacional do Café e do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira.
Ele concluiu sobre a queda de produção após observar os cafezais e entrar em contato com produtores de todas as regiões cafeeiras. Nessa pesquisa, confirmou que os cafeicultores estão descapitalizados e não tiveram condições de realizar os tratos culturais mínimos necessários.
O cafeicultor Breno Pereira Mesquita, membro da Comissão Técnica do Café da Federação de Agricultura de Minas Gerais (Faemg), revelou que o problema se repete em Minas, que é o maior produtor brasileiro. ''Os produtores estão descontentes com os preços do mercado. Os tratos deixaram de ser feitos de maneira plena e, por isso, a safra será bem menor que a prevista pela Conab'', afirmou.
Os dois cafeicultores produtores acreditam que o manejo inadequado deste ano também vai refletir negativamente na safra do ano que vem. Por causa da bianualidade da cultura (alternância entre um ano ruim e outro bom), 2004 seria um ano de boa produção. Mesquita aposta, entretanto, que a performance recorde de 2002 quando o País colheu 47,8 milhões de sacas não se repetirá.
Doenças e a falta de adubação resultaram no amarelecimento, desfolha e seca de ramas. A consequência, segundo Baggio, é uma redução de 30% na expectativa de florescimento, o que diminuiria a esperada safra recorde de 50 milhões de sacas para apenas 35 milhões. O volume seria insuficente para atender o mercado exportador de 25 milhões de sacas e o mercado interno de 13 milhões de sacas.
Para ele, o controle da ferrugem e um programa mínimo de nutrição do cafeeiro, com assistência agronômica, é imprescindível para manter o Brasil como fornecedor confiável de 25 milhões de sacas de café de qualidade para o mercado mundial. ''Caso contrário, será difícil manter o mercado, a competitividade e a sobrevivência dos cafeicultores'', criticou.
Mesquita acrescentou que o setor precisa de políticas públicas eficientes para sustentar a produção e a comercialização. Este ano, por exemplo, o geverno ainda não liberou recursos para estocagem do café, que possibilitariam vendas mais escalonadas a melhores preços. ''Os recursos sempre chegam fora de época, obrigando o produtor a desovar o produto de uma só vez'', diz o cafeicultor mineiro.


