País perdeu US$ 8,3 bilhões em reservas
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sábado, 15 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O Brasil perdeu US$ 8,3 bilhões de suas reservas internacionais em outubro. É a maior perda ocorrida, até hoje, em um só mês. Somente para contornar a crise mundial que chegou ao País no final do mês, o Banco Central foi obrigado a desembolsar US$ 7,14 bilhões. Mais US$ 1,16 bilhão foram gastos em pagamentos da dívida externa do governo.
Em valores totais, no entanto, a perda anunciada pelo Banco Central foi semelhante à que ocorreu depois da crise do México, em dezembro de 1994, e da crise cambial, em março de 1995. Somados aqueles dois meses, o Brasil queimou nas duas crises US$ 8,40 bilhões das reservas.
Ao contrário daquela época, quando houve fuga total dos recursos, em setembro as saídas ficaram em US$ 5,04 bilhões. Outros US$ 3,26 bilhões foram também comprados pelos bancos ao BC, mas esse dinheiro as instituições deixaram em suas carteiras.
Com isso, a fuga líquida de capital ocorrida em outubro foi de US$ 3,88 bilhões. Esse é o total, segundo dados do BC, dos recursos enviados ao exterior pelas instituições financeiras no período da crise. A diferença para os US$ 5,04 bilhões das saídas refere-se ao pagamento da dívida externa.
Na opinião do chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, que divulgou ontem os novos saldos das reservas, a perda gerada pelas crises de três anos atrás foi mais grave porque, naquela época, o País dispunha de menos reservas. As reservas eram de aproximadamente US$ 30 bilhões, o que torna o impacto da perda maior que agora, afirmou.
Com todo o movimento ocorrido no final do mês passado, o saldo das reservas caiu de US$ 61,1 bilhões para US$ 52,8 bilhões, considerando os recursos prontamente disponíveis, ou seja, o chamado conceito caixa. Em liquidez internacional, que inclui créditos a ser recebidos, as reservas passaram de US$ 61,9 bilhões para US$ 53,6 bilhões.
Assim, o País volta aos níveis de reservas que tinha em janeiro de 96. Lopes destaca, no entanto, que a maior parte do que os bancos deixaram em carteira já voltou ao Banco Central.
No início da crise, porém, a chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais, Maria do Socorro Carvalho, garantia a tranquilidade da situação lembrando que, desconsiderando os pagamentos de dívida externa a ser feitos, as reservas cambiais já estavam com um crescimento de US$ 1 bilhão em outubro. Dessa forma, pode-se concluir que, em outubro, as reservas em caixa chegaram a estar em nível superior a US$ 62 bilhões, o que resultaria em perda maior das reservas. Lopes garante, no entanto, que a perda total foi de US$ 8,3 bilhões.
Nas vendas de US$ US$ 7,14 feitas pelo BC, um total de US$ 2,09 bilhões foram no câmbio livre, que inclui balança comercial e aplicações em bolsas, enquanto os outros US$ 5,05 bilhões foram no câmbio flutuante. Ainda de acordo com os dados do BC, em outubro, a fuga líquida de recursos externos aplicados nas bolsas foi de US$ 556 milhões.
Esse resultado corresponde a ingressos de US$ 3,18 bilhões enquanto as saídas atingiram US$ 3,73 bilhões. Das aplicações de renda fixa saíram outros US$ 736 milhões, enquanto mais US$ 98 milhões deixaram outros fundos. O chefe do Depec insiste, no entanto, que esses números correspondem apenas a pequenas parcelas dos estoques das aplicações.
Enquanto os recursos externos em bolsa montam a US$ 33 bilhões o estoque dos fundos de renda fixa está em US$ 3,7 bilhões. Nas bolsas a porta de saída é estreita, diz Lopes, apostando que se todo mundo sair de uma vez, as ações viram pó.
No segmento de taxa livre, que considera os contratos de câmbio de exportação e de importação e, ainda, os fluxos financeiros, o chefe do Depec revelou que, até o dia 24 de outubro - na sexta-feira anterior à primeira semana de crise -, o saldo estava positivo em US$ 3,8 bilhões. No fechamento o mês, no entanto, foi registrado um déficit de US$ 151 milhões.


