Com o comércio sentindo mais intensamente os efeitos da recessão, o Brasil perdeu 118.776 vagas formais de emprego em março, informou ontem o Ministério do Trabalho e Previdência Social. Este é o pior resultado para o mês desde 1992, quando começou a série histórica. O pior março desde então havia sido registrado justamente em 1992, com o fechamento de 79.316 postos de trabalho. O mesmo aconteceu no Paraná, que teve em março de 2016 o seu pior resultado em 24 anos. No mês passado, 3.855 vagas de trabalho foram eliminadas no Estado.
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O saldo negativo no cenário nacional em março é fruto de 1.374.485 contratações e 1.493.261 demissões no período. No Paraná, foram 105.163 admissões, contra 109.018 desligamentos. O Estado ficou em 16º no saldo de contratações e demissões – Rio Grande do Sul ficou em primeiro, com saldo positivo de 4.803 empregos formais, e São Paulo em último, com menos 32.616 postos de trabalho.
Londrina terminou o mês de março com saldo de -263 vagas, resultante de 7.000 admissões e 7.268 desligamentos, ficando em 56º lugar no ranking. Curitiba ficou em 60º, com saldo negativo de 2.105 postos.

Setores
De acordo com os dados do Caged, o setor de comércio foi o que mais eliminou vagas formais de emprego em março em todo o Brasil, sendo responsável pelo fechamento de 41.978 postos no mês passado. Praticamente empatados na segunda posição de setor que mais fechou postos com carteira assinada em março ficaram a indústria da transformação e a construção civil. No primeiro segmento, houve perdas de 24.856 vagas e, no segundo, de 24.184. Mais uma vez, a administração pública foi a única a ter saldo positivo, com a criação de 4.335 vagas.
Os setores mais afetados pelo fechamento de vagas em todo o Estado foram os de construção civil e comércio, com saldos de -2.389 e -1.674, respectivamente. Indústria da transformação (227), administração pública (189), e agropecuária (125) foram os únicos a contratarem mais que demitirem no mês passado no Paraná.

Resultado esperado
O saldo negativo acentuado no emprego já era esperado, avalia Gilmar Mendes Lourenço, professor de Economia da FAE Centro Universitário e ex-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). "(Os indicadores) Vêm se somar a uma série de outros indicadores negativos que vêm se registrando desde o final de 2014, mostrando que a recessão está instalada na economia brasileira." Segundo observa o economista, à medida que os setores que mais absorvem mão de obra também são afetados pela crise, o desemprego passa a atingir números recordes. "Os últimos setores atingidos pela crise são serviços e comércio, pois são os que mais absorvem mão de obra. A partir do momento que esses segmentos alcançaram a crise, o desemprego subiu."
A construção civil, que é o setor que mais fechou vagas de trabalho formal no Paraná, se vê hoje prejudicada pela falta de investimento em obras públicas e pelos juros altos do financiamento que, aliado ao desemprego, inibem a demanda dos compradores por imóveis. Essa é a opinião do presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte/PR), Osmar Ceolin Alves. De acordo com ele, a soma desses fatores diminui a velocidade de venda de imóveis e faz com que as construtoras necessitem de menos mão de obra. "Pela soma de todas essas situações, temos uma diminuição do mercado", avalia. "Isso (a diminuição de vagas) já estava sendo esperado por nós."
O comércio, por sua vez, vem sentindo um forte impacto nas vendas devido à inflação, que corrói o poder de compra do consumidor, afirma Marcos Rambalducci, consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). A recuperação, diz ele, será demorada. "Primeiro, é preciso estancar a queda na produção e depois pensar em nível de investimento com aumento da capacidade de produção." Para ele, a queda nos indicadores desse mês irá perder força, mas continuará no terreno negativo.(Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem País perde mais de 118 mil vagas de emprego em março
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