O meio rural perdeu 5,75 milhões de trabalhadores entre 1985 e 1996, segundo o Censo Agropecuário do ano agrícola de 1995 a 1996, cujos resultados gerais foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 11 anos, número de trabalhadores agrícolas caiu de 23,3 milhões para 17,9 milhões, como resultado do processo de modernização da agricultura.
O efeito da mecanização, de acordo com o IBGE é demonstrado pelo fato de a pecuária, com 4,8 milhões de pessoas empregadas nos dois anos em que foi feito o censo, ter absorvido quase 27% do total de trabalhadores no campo. O índice é menor do que o de empregados em lavouras temporárias (37,8%), mas bem maior do que o percentual de trabalhadores de lavouras permanentes (12,1%).
No passado, a agricultura exigia muito mais mão-de-obra. O censo apontou que a maior parte destes trabalhadores está nas pequenas propriedades.
No fim de 1995, 3,8 mil estabelecimentos rurais (79%), concentravam 64,8% do total de trabalhadores, ou 11,6 milhões de pessoas. Este contingente era formado pelos donos das propriedades ou seus parentes, segundo o IBGE.
A redução do número de trabalhadores foi maior no Rio de Janeiro (queda de 46%), Amazonas (-45%), São Paulo (-33%) e Paraná (-31%). Apenas Roraima teve aumento de ocupação agrícola, em 55%.
Os estados com o maior número de trabalhadores agrícolas são Bahia (14%), Minas Gerais (11,16%), Paraná (7,19%) e Rio Grande do Sul (7,59%).
Propriedades A modernização do setor extinguiu postos de trabalho, mas não mudou a estrutura de distribuição das propriedades rurais no País, segundo o censo. No fim de 1995, as unidades de 100 hectares representavam 89,3% do número de estabelecimentos agrícolas, mas controlavam apenas 20% das terras cultivadas no País. Dez anos antes, as pequenas propriedades representavam 90% do número de unidades agrárias e detinham apenas 21,2% da área total.
As fazendas com mil ha ou mais controlavam 45,1% da terra no Brasil em 1995, uma pequena mudança em comparação com 1985, quando este índice era de 44,1%. A proporção de estabelecimentos médios, entre 100 e mil ha, aumentou de 8,9% em 1985 para 9,7%, dez anos depois.
A área usada pela agropecuária brasileira caiu, neste período, de 5,8 milhões de ha para 4,8 milhões de ha.
Os agricultores passaram a usar mais equipamentos e técnicas modernas, mas o acesso ao financiamento para o setor ainda é reduzido. No ano agrícola de 1995 e 1996, apenas 5,3% dos proprietários contraíram empréstimos para a expansão de suas atividades, e 4,1% conseguiram crédito para o custeio.

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