País pagará mais caro pelo trigo dos EUA e Canadá
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sábado, 22 de dezembro de 2001
De Londrina 
O Brasil terá problemas com o abastecimento de trigo a não ser que inicie ainda em janeiro a contratação de trigo canadense ou norte-americano, pagando tarifa externa comum (TEC) de 12,5% mais 25% sobre o frete, custo que não incide com o trigo argentino, conforme acordo do Mercosul. É o que pensam analistas de mercado ouvidos ontem por este jornal.
O trigo argentino, além de sofrer perdas em volume, causadas pelas chuvas na fase de maturação, enfrenta problema de qualidade, pelo mesmo motivo. O excesso de umidade pode ter reduzido a colheita deste ano de 15 milhões para 13 milhões de toneladas. O fator qualidade é um ''complicômetro'' para as importações brasileiras e não pode ser ignorado pelos agentes do abastecimento, admitiu ontem o analista Fernando Muraro.
Fernando Muraro acha que as indústrias moageiras de trigo vão ter que fazer ''blendes'' para melhorar a qualidade da matéria-prima uma vez que o grão argentino pode ser dos piores dos últimos anos.
O produtor argentino, prejudicado no trigo e no milho por adversidades climáticas; na carne, face à manutenção do embargo sanitário imposto pela União Européia, além de amargar uma crise econômica histórica, não perderá a oportunidade de melhorar os preços. Neste momento, além da desvalorização da moeda nacional, tentará reter a mercadoria, provocando reação do mercado.
Soja matém rotina O mercado das principais commodities agrícolas não alterou sua rotina no segundo dia da crise argentina. Os analistas esperavam uma repercussão maior. Na Bolsa de Chicago, ontem, contratos para janeiro foram cotados a US$ 4,36/bushel (US$ 9,61/saca de 60 kg), com alta de apenas 0,50 centavo de dólar/bushel.
Ao longo da semana a Bolsa de Chicago trabalhou fraca, marcando novas quedas nas cotações futuras. A bolsa entra no clima das festas de final de ano e assim o mercado perde a empolgação natural dos dias normais. Na próxima segunda-feira a Bolsa de Chicago não funcionará, retomando suas atividades na quarta-feira.
A publicação Oil World, em sua edição desta semana, divulgou suas projeções para a safra sul-americana. De acordo com a revista, a produção brasileira de soja deverá atingir 41,8 milhões de toneladas na safra 2001/02, um crescimento de 7,8% em relação à safra anterior, estimada em 38,8 milhões de t. Para a Argentina, a instituição projeta produção de 28,3 milhões de t, crescimento de 4,8% sobre os 27 milhões de t colhidos na safra anterior.
A produção de soja no Paraguai, terceiro produtor da América do Sul, deverá atingir 3,6 milhões de t, ante quase 3,5 milhões de t da safra passada. Segundo a Oil World, as exportações sul-americanas de soja serão relativamente baixas em janeiro. Os primeiros embarques da nova safra devem ser iniciados em fevereiro no Brasil e no Paraguai, com maior intensidade em março.
A instituição estima que o Brasil exportará, entre os meses de fevereiro e agosto de 2002, 13,48 milhões de t, contra 12,63 milhões de t no mesmo período de 2001. A Argentina deverá exportar 7,05 milhões de t no período de março a agosto do próximo ano, ante 6,61 milhões de t exportadas no mesmo período em 2001. Ainda segundo a Oil World, as exportações argentinas devem ganhar força a partir de abril.


