Gecy Belmonte
Agência Estado
A produção brasileira de grãos deverá atingir 83,439 milhões de toneladas na colheita da safra 1999/2000, resultante de um cultivo de 36,879 milhões de ha, segundo levantamento preliminar feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado ontem pelo ministro da Agricultura, Marcus Pratini de Moraes. ‘‘Apesar dos efeitos da crise russa, da estiagem nas regiões Sul e Sudeste e da queda dos preços das commodities, conseguiremos manter mais uma supersafra’’, ressaltou o ministro.
Os dados da Conab mostram que houve um aumento de apenas 0,5% na área plantada neste ano e de 1,2% na produção agrícola, considerando os dados da safra 1998/99 que foram de 36,713 milhões de hectares e de 82,440 milhões de toneladas, respectivamente.
Pratini explicou que o melhor desempenho com relação ao plantio ficou com a cultura de algodão, que teve o maior acréscimo (5 9%), amendoim e milho (primeira safra) e soja. Produtos que registraram a maior queda na área de plantio foram o arroz (menos 4%) e o feijão (com menos 2,5%) e que têm uma colheita estimada em 11,026 milhões de toneladas e 2,979 milhões de t, respectivamente.
Apesar da melhora nos preços, houve uma pequena expansão no cultivo de milho que passou de 12,447 milhões de hectares no ano passado para 12,546 milhões de ha neste ano. Esse pequeno crescimento, de 0,6% na área cultivada, foi causado por uma estiagem prolongada na época do plantio, que fez com que os produtores optassem pelo cultivo da soja.
Esta última teve um aumento de 2,4% na área cultivada (13,309 milhões de ha) em relação à safra anterior, o que levou a uma estimativa de produção de 31,826 milhões de t contra os 30,764 milhões de t de soja colhidas na safra 98/99.
Milho Pratini explicou que, como tradicionalmente ocorre, o País terá que importar milho neste ano, mas apesar disso, os preços pagos ao produtor continuarão altos. Até março próximo, segundo ele, serão importadas cerca de 1,100 milhão de t do produto para atender ao consumo interno, que este ano ano está estimado em 35 milhões de t. Para o próximo ano este consumo está previsto em 36 milhões de t o que deverá demandar uma importação de 1,5 milhão de t.
Apesar da importação, Pratini contestou análises que estão sendo feitas e que indicam que os preços do milho terão forte impacto nos índices inflacionários. ‘‘Quem apostar na inflação da comida vai se dar mal’’, advertiu, informando que deu esta garantia ao presidente FHC em reunião realizada pela manhã, quando apresentou os dados referentes a próxima safra.
O ministro explicou que para evitar a pressão nos preços do milho o governo venderá, até fevereiro, 1,3 milhão de t, de seus estoques através de leilões. Além disso, desde outubro passado o Ministério da Fazenda vem permitindo que as importações que só eram feitas com pagamento à vista, sejam feitas com prazo de até um ano.
Pratini lembrou ainda que o milho importado é usado somente para alimentar frangos destinados à exportação - ‘‘o que é um grande negócio’’. Observou ainda que a demanda interna por ração animal pode ser complementada com trigo, sorgo, triguilho, milheto, mandioca e polpa cítrica.
Para o próximo ano o governo pretende estimular a produção de milho. Para tanto, o presidente da Conab, Benedito Rosa, informou que o governo vai oferecer contratos de opção para os produtores para até dois milhões de toneladas do produto. A intenção, conforme Rosa, também é a de comprar milho toda vez que o preço do mercado estiver abaixo do preço mínimo estipulado pelo governo.
Com relação ao arroz, Benedito Rosa explicou que, apesar da queda prevista para a produção no Brasil, Argentina e Paraguai, ainda haverá um excedente de 1 milhão de toneladas do produto no Mercosul. No caso do feijão, a intenção, segundo ele, é a de trabalhar com um estoque de 60 mil toneladas ao longo do próximo ano. ‘‘Com isso não haverá problemas no mercado interno’’, afirmou.

mockup