Buenos Aires - Caso a Argentina não pague o FMI, o país não terá problemas de forma imediata. As complicações reais começam daqui a um mês, quando o FMI notificará o governo argentino sobre o atraso no pagamento. Junto com isso, ficariam bloqueadas as entregas de empréstimos concedidos pelo Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Entre 60 e 90 dias depois do depois do calote, todos os créditos de organismos internacionais à Argentina ficam suspensos. Se não houver pagamento, um ano depois do default o país é declarado como ''impossibilitado'' de receber empréstimos. Um ano e meio após o calote, a Argentina fica sem direito a voto no FMI. Meio ano depois disto, o organismo inicia a cobrança compulsiva da dívida.
Apesar do apoio do governo americano - que pretende evitar novas turbulências financeiras na América Latina, que estimule o surgimento de governos anti-americanos e populistas - o governo argentino depara-se com a oposição dos países europeus, que querem que o FMI tenha uma postura mais ''dura''.
A França, país onde estão as matrizes de diversas empresas privatizadas de serviços públicos, quer que o Fundo pressione a Argentina para o descongelamento das tarifas. A Itália e a Alemanha - onde está a maioria dos credores individuais dos bônus em estado de default da Argentina - têm interesse em que o Fundo obrigue o governo Kirchner a definir uma conveniente reestruturação da dívida.

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