País não se beneficia da seca na Colômbia
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Guto Rocha Londrina 
A seca que atinge os cafezais da Colômbia não deve beneficiar o Brasil com aumento nas exportações. A afirmação foi feita ontem pelo secretário-geral da Federação Brasileira dos Exportadores de Café, Francisco Ourique. Segundo estimativas da Febec, o Brasil tem ainda um estoque de café nas mãos de produtores e cooperativas em torno de 6,8 milhões de sacas. Mas não há oferta por parte do produtor para atender as exportações. O produtor está sentado em cima da saca, e só vai começar a liberar o produto quando a saca atingir os R$ 300,00, disse Ourique.
Segundo o secretário da Febec, a seca na Colômbia provocou uma quebra de 5%, ou cerca de 500 mil sacas, da primeira safra (outubro/fevereiro, que representa 60% da produção) naquele país. E também há indicações que a segunda safra (maio/junho), conhecida como mitaca, também tenha quebra em função da seca, segundo informou.
Com a postura dos produtores brasileiro que ainda seguram a produção na espera de preços mais altos, os exportadores da Febec, segundo Ourique, já cobriram a demanda para janeiro, e reduziram as compras para fevereiro e março. Em janeiro, segundo o secretário da Febec, o país vai exportar 800 mil sacas de café verde, o que representa uma quebra de 270 mil sacas em relação a dezembro.
Já para fevereiro a redução foi ainda mais drástica. Os embarques devem ficar em 600 mil saca de café verde, contra uma média mensal de 1,5 mil sacas. O exportador não vai vender o que não tem, apesar de saber que existe café para atender até três meses de exportações, comentou.
Para o corretor de café do Escritório Marrequinho, em Londrina, Márcio Taveres de Menezes, a quebra na Colômbia vai beneficiar o produtor brasileiro. Temos condições de conseguir melhores preços e de cobrir os embarque que seriam feitos pela Colômbia, afirmou. Menezes observou ainda que o mercado de café vive uma situação de sustentação de preço nunca antes registrada. Há mais de oito meses que a saca do café está acima de R$ 200,00, afirma.


