País não precisa do FMI, garante FHC
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terça-feira, 25 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a polêmica a respeito de o Brasil recorrer ou não ao Fundo Monetário Internacional (FMI) já pode ser considerada uma questão fora de época. O Brasil tem mais de US$ 50 bilhões em reservas e vai querer dinheiro do fundo para quê?, indagou ontem o presidente, em entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros na sede da Confederação Nacional do Comércio.
Diante da insistência dos correspondentes sobre a exatidão da cifra, Fernando Henrique respondeu com bom humor. O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, o mantém atualizado sobre essas reservas?, perguntou um correspondente alemão. Falo sempre com o Gustavo Franco, mas sobre as reservas não falo nem pelo telefone, porque alguém pode ouvir, respondeu o presidente, rindo, para depois declarar que as reservas são de US$ 53 bilhões.
O Brasil é, na realidade, sócio do Fundo Monetário Internacional, afirmou Fernando Henrique, dizendo que as relações do governo brasileiro com o FMI são fluidas. Não existe preocupação em recorrer ou não ao FMI, garantiu. O que não existe, no momento, é necessidade disso.
Defendendo a adoção de novos instrumentos para que o fundo possa contribuir para a estabilização mundial, Fernando Henrique disse que organismos como este devem passar a se dedicar mais à discussão das novas condições do mercado financeiro, em especial no caso dos fundos de derivativos. Ele elogiou algumas medidas que já foram tomadas, como o aumento de capital do FMI, mas sustentou que tem de haver mudança de postura.
Fernando Henrique lembrou que em situações de crise, quando há problemas de liquidez internacional, o FMI faz basicamente duas coisas: orienta os países para a adoção de um programa que dê confiabilidade aos investidores e põe à disposição uma linha de recursos que mantém em stand-by. O mundo mudou tanto que há uns dez anos o stand-by era de US$ 2 bilhões e hoje já ouço falar em cifras sobre a Coréia que vão a US$ 20 bilhões, US$ 40 bilhões.
Argumentando que o Brasil tomou as medidas que achou pertinentes, Fernando Henrique lembrou que o presidente do FMI, Michel Camdessus, ao tomar conhecimento do pacote brasileiro, horas depois de sua divulgação, disse que o Brasil está no caminho certo. Eu podia bater à porta do fundo, mas eles iriam dizer: O quê é isso, por que você está aqui? disse o presidente.
Alta no IR O presidente Fernando Henrique disse ontem, no Rio, que continua disposto a negociar alternativas ao aumento do Imposto de Renda, mas afastou de vez a proposta de elevar a alíquota da CPMF. Isso oneraria a produção, transferindo o custo para o trabalhador. Os impostos diretos são mais duros, mas mais justos, porque se paga em função de quanto se ganha.
Fernando Henrique defendeu mais alíquotas do Imposto de Renda sobre pessoa física para poder cobrar mais dos ricos. A carga tributária não é justa não porque seja muito elevada, mas porque há impostos que incidem em cascata, indiretamente, disse.
O presidente evitou comentar a pendenga com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que é contrário ao aumento do IR. Crise? Qual crise?, brincou. Quando acabar a crise, não tem o que se fazer na política.


