País não negocia Alca por status, diz Barbosa
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terça-feira, 15 de maio de 2001
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
O embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, disse ontem que a crença de alguns parlamentares americanos de que o Brasil negociaria a criação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, apenas por uma questão de status é uma das percepções equivocadas que se tem nos Estados Unidos sobre o interesse do País no processo de integração hemisférico.
Vamos negociar a Alca em função de interesses comerciais concretos, como a redução de barreiras não tarifárias e de subsídios agrícolas, disse Barbosa, falando no primeiro de uma série de seminários do programa Brazil on the Hill, organizado pelo Brazilian Information Center (BIC) para melhorar o nível de informação sobre o Brasil no Congresso americano.
O embaixador referia-se a uma declaração que o senador Max Baucus, democrata de Montana, fez na semana passada a repórteres, que lhe perguntaram sobre o interesse de um país como o Brasil em negociar um acordo quando parlamentares como ele já advertiram o executivo americano de que não deve fazer nenhuma concessão sobre políticas de defesa comercial, como o antidumping, nem pretender discutir a política agrícola dos EUA na Alca.
Barbosa apontou também como exemplo de percepção equivocada da posição brasileira um artigo no qual o ex-secretário de Estado Henry Kissinger apontou o Brasil e a opção preferencial do País pelo Mercosul como um obstáculo à criação da Alca.
O artigo saiu ontem na página de opinião do Washington Post e de outros diários americanos. O embaixador criticou a transposição automática que Kissinger faz do conceito de equilíbrio geoestratégico da Europa para as Américas. Ele apontou ainda como erro factual a afirmação do ex-secretário de Estado de que o Mercosul foi criado em oposicão à Alca. Na verdade, a união aduaneira do Conel Sul é anterior ao lançamento da idéia do acordo hemisférico de livre comércio, disse.
O artigo de Kissinger reflete uma tendência de achar que o Brasil está criando obstáculos à Alca e aos EUA, quando o que estamos fazendo é defender os nossos interesses, que são tão legítimos quanto os dos demais países participantes, afirmou Barbosa.
Dois deputados, William Jefferson e Bill English, os líderes do Brazil caucus estiveram no seminário, que teve também apresentações de Sandra Rios, a especialista em comércio internacional da Confederação Nacional das Indústrias, e pelo professor Marcos Sawaya Jank, da Universidade de São Paulo.
Armado de gráficos, Jank explicou as reivindicações do agribusiness brasileiro. A Alca representa uma oportunidade para a eliminação, ao menos parcial, dos subsídios agrícolas dos EUA.


