Curitiba - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse, ontem, em Curitiba, que não acredita que a política econômica do País sofra qualquer mudança após as eleições. ''Hoje, pela primeira vez na história, temos apoio político a uma estabilidade econômica do País, por isso acho que a tendencia é a manutenção dessa política econômica, independentemente dos compromissos públicos ou não dos candidatos'', afirmou ele, que preferiu não comentar sobre sua permanência ou não no cargo, caso a candidata Dilma Roussef saia vitoriosa nas eleições presidenciais.
Meirelles veio a Curitiba a convite da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Frente a uma platéia de empresários, executivos e profissionais de finanças, ele fez uma palestra sobre política monetária voltada ao desenvolvimento. ''A estabilidade no Brasil, e os números mostram isso, gera benefícios para grande parte da população. Há aumento de empregos, aumento da classe média, aumento salarial, assim é evidente que politicamente há suporte para a estabilidade econômica'', salientou.
Meirelles apresentou um painel da política monetária adotada no governo Lula, e seus resultados sobre a situação do País. De modo geral, segundo ele, o Brasil conseguiu sair ''de um ciclo vicioso para alcançar um ciclo virtuoso''. Ele explicou que este resultado foi obtido por meio de uma política de agendamento macroeconômico de metas para a inflação aliada à responsabilidade fiscal e a flexibilidade cambial, associadas, ainda, a uma política prudencial e a supervisão bancária sólida.
Essa política, segundo ele, resultou em capacidade para absorver choques internos e externos, estabilidade macroeconômica e financeira, crescimento sustentável, aumento de investimentos, além de crédito e desenvolvimento do mercado de capitais. Entre os números positivos, citou o crescimento da classe média e da redução da pobreza entre 2003 e 2009: 35,7 milhões de pessoas ingressaram na faixa da classe média e 20,5 milhões saíram da faixa da pobreza. E a projeção até 2014, segundo ele, é que mais 36 milhões ingressem na classe média e outras 14 milhões saiam da pobreza.
''A essência é ter continuidade do processo, com estabelecimento de metas. É um processo a longo prazo'', afirmou, ressaltando que ''o segredo é a previsibilidade'', ou seja, permitir que as pessoas possam planejar suas vidas e saber até que ponto podem se comprometer. ''Um empresário vai saber que pode continuar crescendo sem estar sujeito a choques'', explicou.
Meirelles afirmou que os investimentos externos no Brasil tendem a crescer, pois as empresas estrangeiras vêem o País como um mercado cada vez mais importante. ''O Brasil não é mais um investimento marginal. Empresas globais já têm o Brasil, hoje, como segundo mercado e até primeiro mercado'', disse, ressaltando que além deste investimento direto há também o investimento indireto nas bolsas de valores.
O presidente da Fiep Rodrigo Rocha Loures afirmou que o desafio do crescimento passa por mais crédito, principalmente para a pequena e média empresa. Por isso, a reivindicação do empresariado é que seja criado um banco específico para atender as pequenas e médias empresas, a exemplo do que já ocorre em outros países. ''O que faz o sucesso de um País é o empreendedorismo, e ele precisa de crédito'', afirmou.

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