País não deve cumprir meta de superavit, preveem analistas
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sábado, 20 de novembro de 2010
Fernando Dantas e Jacqueline Farid<BR> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O superavit primário real não vai atingir 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, como foi sinalizado pela equipe de transição da futura presidente Dilma Rousseff, e o Banco Central (BC)terá de subir a taxa básica de juros (Selic) para controlar a inflação
Essa é a previsão dos economistas chefes de duas das maiores instituições financeiras do País: Ilan Goldfajn, do Itaú Unibanco, e Alexandre Schwartsman, do Santander, ambos ex-diretores do BC Para eles, a inflação caminha para ultrapassar 5% em 2011 e deve chegar a 5,5% ou mais em 2010
O economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, também prevê necessidade de alta de juros em 2011 Para todos esses analistas, a necessidade de apertar a política monetária será tão mais forte quanto menor for o esforço para elevar o superavit fiscal primário, que exclui juros A razão é que o impulso fiscal do governo também aquece a demanda e provoca pressões inflacionárias
Goldfajn acredita que a inflação oficial chegará a 5,5% em 2011, ''com esforço, ou seja, com a política monetária apertando um pouco mais'' Ele alertou que ''os sinais de aquecimento estão aí, não totalmente fora de controle, mas será necessário algum ajuste'' O economista prevê uma elevação da Selic de 2 pontos porcentuais (hoje ela está em 10,75%) em 2011
Para Goldfajn, ''todos os sinais clássicos de aquecimento'' estão presentes na economia brasileira hoje Ele citou a alta das expectativas de inflação e do deficit em conta corrente, que - na sua visão - pode chegar a 5% do PIB em 2012
Os economistas participaram ontem do seminário ''O Brasil no novo Governo'', organizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio Eles deixaram claro que, ao falar do superavit primário efetivo, referiam-se ao resultado sem os truques contábeis que o elevaram artificialmente nos dois últimos anos
Para Schwartsman, o BC ''está atrasado do ponto de vista da política monetária'' e vai ter que elevar os juros diante do cenário de inflação em alta Ele considera que o aumento dos juros será inevitável, uma vez que não há qualquer perspectiva de um ajuste fiscal de magnitude que evite uma intervenção mais forte da política monetária
Dívida pública
O economista do Santander criticou que a política fiscal ainda tenha como foco apenas a sustentabilidade da dívida pública ''O ajuste fiscal deve sair da dimensão de controlar dívida e conciliar instrumentos de política econômica, monetária e fiscal'', afirmou
Segundo Schwartsman, não há qualquer sinal de melhoria do desempenho fiscal ''Com um superavit primário elevado, é possível manter inflação na meta sem elevar juros, mas concretamente é muito remota a chance de que haja um ajuste primário dessa magnitude'', afirmou


