O Brasil deve manter o superávit na balança agrícola em 1998, como vem ocorrendo nos dois últimos anos, apesar de o mercado internacional sinalizar com queda de preços das principais commodities. A avaliação é do diretor de Política Agrícola do ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, ao salientar que as exportações de produtos agrícolas não serão prejudicadas pela crise asiática.
O superávit será atingido graças à estratégia do governo em estimular a expansão do plantio de culturas de exportação mais caras, como a soja e o café. Ele admitiu que o governo optou por estimular produtos que geram renda e divisas, mesmo que isso provoque o aumento das importações de produtos consumidos no mercado interno como arroz, milho e trigo, que são mais baratos.
A balança agrícola evoluiu de um superávit de US$ 8,5 bilhões em 1996, para US$ 11,4 bilhões em 97. Nesse ano, as exportações somaram US$ 18,5 bilhões e as importações, US$ 7,1 bilhões. Rosa não quis estimar qual o superávit da balança em 1998, argumentando que a comercialização ainda está no início e qualquer avaliação seria um ‘‘ chute’’. Mas reconheceu que o governo preferiu consolidar a produção de soja, tornando-se mais agressivo ao lado dos Estados Unidos e Argentina.
Benedito Rosa deu indícios que o superávit será próximo ao do ano passado, sendo que a queda de preços das commodities previstas no mercado internacional será compensada pelo aumento do volume exportado. Só com o café, a balança deverá ter um acréscimo de US$ 1 bilhão com o aumento da produção para 31 milhões de sacas. Em 1997 foram produzidas 18 milhões de sacas, comparou. Já a soja, deverá manter o recorde de exportações do ano passado, quando foram exportadas 8,3 milhões de t.
A perspectiva com as exportações de carne de frango e suína também é animadora. Em 1997 foram exportadas 693 milhões de t carne de frango e em 1998 deverão ser exportadas 700 milhões de t, apesar da concorrência da Tailândia, país produtor Ásia que desvalorizou a moeda para elevar as exportações. As exportações de carne suína devem se elevar de 63.000 toneladas em 1997 para 100.000 t em 1998.

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