A agricultura brasileira terá um seguro agrícola ‘‘decente’’ e o País vai se transformar num dos maiores exportadores de carne bovina a partir de 2004 com o reconhecimento da UE e EUA de que está livre da aftosa. O Paraná será declarado ‘‘área livre’’ já no ano que vem.
Estas informações foram dadas ontem em Londrina pelo ministro da Agricultura, Francisco Turra, na entrevista coletiva, após declarar aberta a 39ª Exposição Agropecuária e Industrial. Turra também discursou na abertura da reunião do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura, no recinto Milton Alcover. O Fórum contou com a presença de 23 secretários e discutiu a unificação de políticas fiscais entre os Estados e preços de insumos agrícolas com representantes das indústrias.
Sobre o seguro agrícola Turra evitou entrar em detalhes, adiantando apenas que a minuta do projeto está pronta e prevê a parceria entre governos federal e estaduais e três grandes seguradoras do setor privado. Franquia e seguros vão variar de acordo com vários fatores: itens a serem cobertos, nível tecnológico e investimentos da propriedade.
Sobre a aftosa disse que o processo que vai culminar com a declaração de área livre no Paraná, ano que vem, já está em andamento desde o ano passado e a etapa final são os exames de sorologia que vão atestar a ausência do vírus no rebanho.
Para os secretários de agricultura o ministro destacou o empenho dos Estados afirmando que ‘‘até a Amazônia’’ está se esforçando neste sentido. Segundo Turra, a União e os Estados já investiram US$ 1,5 bilhão no projeto de defesa sanitária priorizando a erradicação da aftosa.
Turra relatou aos secretários de Estado os sucessos que tem conseguido junto à equipe econômica do governo. Referiu-se a uma reunião recente entre ele, os ministros Pedro Malan, da Fazenda; Pedro Parente, do Orçamento e Gestão, e os presidentes do Banco Central, Armínio Fraga, e Banco do Brasil, Pérsio Arida. Considerou a semana ‘‘extremamente positiva’’: ‘‘Conseguimos levar toda a área econômica do governo para o Ministério da Agricultura e estamos sensibilizando a equipe econômica para a importância do agronegócio’’, afirmou.
As gestões no seio do governo se encaminham para que o País tenha um ‘‘plano agrícola’’ e não um ‘‘planos de safra’’ a cada ano. É preciso sensibilizar a área econômica para que tenhamos crédito e para que se resolva o problema do endividamento, garantindo ao produtor acesso à pesquisa, à tecnologia e à mudança da defesa agropecuária.
Acompanhado do governador Lerner, do secretário Antônio Poloni e demais secretários, Turra percorreu o pavilhão internacional. Na Ruraltech, visitou alguns estantes com equipamentos inéditos. Um desses equipamentos, um secador solar de frutas, do Iapar, chamou a atenção do ministro. Mas quem acabou permanecendo mais tempo no local foram o governador e a vice Emília Belinati, que saborearam bananas, enquanto ouviam explicações do pesquisador Paulo
Guilherme Ribeiro, sobre o funcionamento da máquina, que é simples e de baixo custo.
RS critica O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hoffman, criticou a pauta do Fórum. Disse que são muitos assuntos (oito, para serem discutidos em cerca de 4 horas) que tornam o encontro sem conclusão. ‘‘A gente acaba ouvindo as indústrias de insumos que vêm justificar seus preços, quando o Fórum é para algo mais amplo’’, disse. Para Hoffman, só o item que trata da Unificação das políticas fiscais - por se tratar de assunto sério - demandaria o tempo de uma reunião. ‘‘Se não houver mudanças nas pautas e nos objetivos, o Rio Grande do Sul vai deixar de participar do Fórum’’, concluiu.

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