O Brasil irá fazer hoje a sua segunda rodada de licitações para a concessão de áreas de exploração e produção de petróleo em um momento de acirrada competição internacional pelos investimentos das empresas petrolíferas, o que pode ser um fator de redução do volume de negócios.
Estarão em disputa 23 blocos exploratórios (13 em terra e 10 no mar), em nove bacias sedimentares: Amazonas, Camamu-Almada (BA), Campos (RJ), Pará-Maranhão, Paraná, Potiguar (RN), Recôncavo (BA), Santos (RJ, SP, PR e SC) e Sergipe-Alagoas. Estão na disputa 44 empresas de 16 países. No ano passado eram 38 empresas, de 12 países. Os preços mínimos por bloco são de US$ 100 mil, US$ 200 mil e US$ 300 mil, dependendo da atratividade.
A competição internacional neste ano, segundo o próprio diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, está mais acirrada do que na época da rodada de licitações de junho do ano passado. A ANP é a responsável pelas licitações. No pólo positivo das expectativas, segundo Zylbersztajn, está o fato de o Brasil ter sido o palco de um terço das pesquisas sísmicas realizadas nos últimos 12 meses, teoricamente, um sinal de interesse. Outro ponto favorável é que as empresas estão mais capitalizadas, fruto da alta de preço do petróleo.
Havia ontem no mercado a expectativa de que a grande ausente nos leilões de hoje fosse a italiana Agip, maior vencedora do leilão do ano passado entre as concorrentes da estatal Petrobras. O motivo da ausência seria a necessidade de a empresa consolidar seus investimentos no País na área de distribuição de combustíveis. No ano passado a Agip arrematou por R$ 134,16 milhões (ágio de 53.565% sobre o preço mínimo) o bloco 4 da bacia de Santos.
‘‘As condições internas são muito mais favoráveis. Por outro lado, há uma competição de oportunidades muito maior no mundo todo’’, disse o consultor Jean Paulo Prates, sócio da consultoria Expetro e do escritório de advogados Prates & Carneiro, especializados no setor. Prates diz que as regras do mercado brasileiro estão mais claras e que a flexibilização de algumas exigências também vai facilitar e atrair mais interessados. Segundo ele, os programas mínimos exploratórios para áreas em terra estão mais maleáveis. A empresa vencedora não precisa necessariamente fixar quantos poços irá perfurar nessa fase.
Ivan Simões de Araújo Filho, superintendente de Promoção de Licitações, informou que as perfurações de poços pelas empresas habilitadas a operar no Brasil na primeira rodada de licitações deverão começar em poucos meses.
As empresas têm de dois a quatro anos para fazer as pesquisas sísmicas e então perfurar algum poço. Durante esse período, elas podem até desistir do negócio e devolver as áreas à ANP.
Os preços do petróleo subiram alguns centavos ontem. Os preços do petróleo estão em um patamar acima do aceitável, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) – que quer preços entre US$ 22 e US$ 28 o barril. O barril de petróleo em Nova York para venda em julho fechou cotado a US$ 29,75, com alta de US$ 0,05 em relação ao dia anterior.

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