País já vendeu US$ 660 mi no mês e dólar ainda sobe
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terça-feira, 24 de julho de 2001
Agência Folha De São Paulo 
A pressão sobre o câmbio se intensificou ontem, depois de dois dias de alívio. Com a Argentina novamente no centro das preocupações, o dólar fechou em R$ 2,47, o que representou aumento de 2,28% em relação ao fechamento de segunda-feira.
A presença do Banco Central no mercado, cumprindo o programa de intervenções conta-gotas, praticado desde o último dia 5, não alterou a trajetória de alta tomada pela moeda norte-americana logo na abertura dos negócios. Operadores estimam que mais US$ 50 milhões foram despejados ontem no mercado.
Somente neste mês, o governo já vendeu US$ 660 milhões em papel-moeda. No ano, já foram torrados cerca de US$ 2,535 bilhões para tentar conter a alta do dólar. Mas a valorização da moeda norte-americana em 2001 chega a 26,6%.
A indefinição na Argentina voltou a perturbar. E, como o dólar havia recuado bastante nos últimos dias, acabou subindo mais fortemente, afirma Joaquim Kokudai, diretor de tesouraria do banco Lloyds TSB.
Sobre as intervenções diárias do BC, Kokudai diz que em um dia mais tenso, como esta terça-feira, vender US$ 50 milhões não altera muita coisa. Mas, no longo prazo, tem seu efeito. Nos negócios de ontem, a quantidade de investidores à procura de dólares superou a oferta de moeda. Isso fez com que o dólar encerrasse com a segunda maior alta deste mês.
A procura por hedge (proteção contra as oscilações da moeda) voltou a crescer. Empresas e instituições financeiras temem que, no vencimento de suas despesas e dívidas, o dólar esteja em um valor maior, por isso aumentam a busca por essa proteção.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), os juros fecharam em alta. No contrato DI (juro interbancário) de outubro a taxa subiu para 22,9%.
A desvalorização de 2,34% da Bolsa de Valores de São Paulo levou seu principal índice novamente ontem para baixo dos 14 mil pontos.
Com os investidores mais pessimistas em relação à Argentina e a baixa das Bolsas nos EUA, o Ibovespa fechou o pregão em 13.737 pontos. O volume negociado ficou em apenas R$ 474 milhões.
Alan Greenspan, presidente do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve), disse ontem que não há risco de contágio pelos problemas por que passam as economias emergentes, como a Argentina. Ele também afirmou que os recursos do FMI (Fundo Monetário Internacional) não são ilimitados e sinalizou com a possibilidade de rebaixar ainda mais as taxas de juros dos EUA.
O risco de contágio pelas economias em desenvolvimento é menor e é possível presumir que ele pode ser contido sem maiores problemas, disse ele em seu depoimento semestral ao congresso dos EUA sobre a situação da economia.
O discurso de Greenspan foi muito parecido com o que fez na semana passada para membros do Comitê de Finanças da Câmara. Ele voltou a dizer que a Argentina está trabalhando para sair da crise. Os problemas que temos visto são, de certa forma, mais domésticos do que internacionais, disse.


