País já importou 767 mil t de milho
Empresas brasileiras importaram 767 mil toneladas de milho só nos primeiros seis meses deste ano, de acordo com dados fornecidos pela gerência de estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior. O volume importado nos seis primeiros meses de 98 já ultrapassa o total de 97 (532 mil t), segundo informações da Secretaria de Política Agrícola. No primeiro semestre de 97, o volume importado somou 290,5 mil toneladas.
De acordo com a SPA, as empresas da região Nordeste importaram 508,1 mil t do total no primeiro semestre deste ano, seguidas por companhias do Sul, com 233,1 mil t. Para as empresas nordestinas é mais favorável comprar no exterior que no mercado interno em função dos custos com frete rodoviário. O Sudeste importou 22,4 mil t e o Norte, apenas 70 t. No mesmo período do ano passado, a região Nordeste havia importado 169,5 mil t de milho, o Sul, 116,7 mil t, e o Sudeste, 4,3 mil t, enquanto empresas do Norte não compraram milho de outros países.
Custo De acordo com a Secex, as importações de milho no primeiro semestre tiveram um custo de US$ 91,296 FOB (free on board), isto é, no porto sem despesas de internalização (documentação, adequação cambial, entre outras). A maior parte do milho importado no período veio da Argentina, cerca de 662.621 t. O Paraguai exportou 72.380 t para o Brasil e o Uruguai, 32.010 t. Também vieram volumes de milho dos Estados Unidos (189 t), Africa do Sul (150 t), Canadá (38 t), China (6,8 t) e França (592 quilos).
O aumento nas importações de milho este ano já era previsto pelo governo porque a área plantada na primeira safra em 97/98 foi menor, com decorrente declínio na produção. Isso foi agravado pela seca no Nordeste, que provocou quebra na produção de milho na região. Mas os preços internacionais mais favoráveis para o milho foram o principal fator de estímulo às importações, na avaliação do diretor de abastecimento da Secretaria de Política Agrícola, Vilmondes Olegário da Silva. Segundo ele, os maiores volumes importados não surpreenderam, e o governo estima que as importações devem totalizar 1,2 milhão de t neste ano.
Para Leonildo Brunetta, da Avicol Comércio Exterior, que atua no Nordeste, as importações só não foram maiores no ano passado porque os preços do milho estavam altos no mercado internacional. Hoje, no entanto, a tendência é baixista por causa da perspectiva de uma boa safra nos Estados Unidos e da grande oferta argentina.
Além de estarem estimulando as importações de milho, os preços externos mais favoráveis estão reduzindo o ritmo de escoamento dos estoques do governo, porque o mercado interno não está aquecido, segundo Vilmondes, já que o cenário de oferta/demanda é tranquilo.
Atualmente, o governo tem 1,5 milhão de t de milho em EGF especial (Estoques do Governo Federal) das safras 94/95 e anteriores e 2 milhões de t em AGF (Aquisições do Governo Federal), sendo a maior parte da safra 96/97, nos estoques da Conab.
Para o diretor da SPA, a surpresa este ano é a maior oferta de sorgo (forrageira que pode substituir o milho parcialmente em rações), estimada em 1 milhão de toneladas pelos produtores do País. A Conab havia estimado uma produção de 400 mil toneladas. Segundo ele, essa oferta já muda o perfil da comercialização. Além disso, afirmou, há maior oferta de polpa cítrica internamente, produto que também pode ser usado em rações de bovinos, porque este ano as exportações do produto estão menores.ArquivoEm altaImportações revelam um mercado comprador, com tendência de alta a partir de setembroAlda do Amaral
Agência Estado





