A sociedade brasileira começa a conviver com informações e ofertas cada vez maiores de produtos (vegetais, animais, vacinas, medicamentos, alimentos, etc) resultantes de organismos geneticamente modificados. Como lidar com isto é uma questão tecnológica, ética, moral e jurídica, que está sendo tratada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Ontem, após inspecionar o Iapar e o CNPSoja para conceder o ‘‘Certificado de Qualidade em Biossegurança’’ (CQB), membros da CTNBio participaram de debates sobre organismos geneticamente modificados (transgênicos). Uma palestra da médica Lúcia Fernandes Aleixo, inspetora da CTNBio, sobre a ‘‘Regulamentação da Biossegurança no Brasil’’, estimulou a discussão sobre o que o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, considerou como sendo um dos principais desafios para a pesquisa científica, no momento.
No auditório estavam médicos, bioquímicos, pesquisadores das áreas de genética vegetal e animal, representantes de multinacionais produtoras de sementes, técnicos em laboratórios que operam com vacina, e até um promotor de direito do consumidor, entre outros segmentos. As dúvidas ainda são muitas, a julgar pelas perguntas. Foram levantadas questões que vão desde o tratamento de virus de determinados tipos de hepatite até obrigatoriedade de informar nos rótulos comerciais de alimentos geneticamente modificados.
Embora uma das questões mais sensíveis seja a clonagem de mamíferos a partir de células somáticas, o debate de ontem, no Iapar, foi permeado por questões mais comuns, da rotina das atividades de pesquisa, dos laboratórios médicos ou das indústrias de sementes.
Clonagem Sobre a experiência em clonagem humana, os técnicos observam que a reação mundial contrária a clonagem tem sido extremamente forte. Dezessete países desenvolvidos assinaram protocolo de intenções contrário à clonagem de humanos.
A Lei de Biossegurança estabelece que é vedado, nas atividades com Organismos Geneticamente Modificados (OGM) a manipulação genética de células germinativas. Segundo as inspetoras Lúcia Fernandes Aleixo e Leda Cristina Mendonça, a CTNBio define a manipulação genética em humanos através de Instrução Normativa aprovada após detidas análises científicas e com base na interpretação de outros países.
Porém, algumas etapas já foram vencidas e já se tem clareza dos efeitos de algumas conquistas no âmbito vegetal. A CTNBio é favorável - e foi criticada por isso - à importação (para consumo humano e animal, não incluindo o plantio) de soja proveniente dos Estados Unidos que, em função de plantios comerciais da cultivar transgência. resistente ao herbicida Roundup Ready.
A conclusão da CTNBio foi que a soja transgênica é equivalente à soja não transgência do ponto de vista da sua composição química e propriedades nutricionais.Dorico da SilvaÀ luz da ciênciaLeda Mendonça, Lúcia Aleixo e Vânia Cirino, da CTNBio, com o diretor científico Rogério Cardoso: biossegurançaOswaldo Petrin

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