A posição atual do governo brasileiro com relação ao ritmo de formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) é manter o calendário orginal acordado entre os 34 presidentes do continente, menos Cuba, disse ontem o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. De acordo com essa agenda, as negociações terminariam em 2004 e as regras começariam a vigorar, gradativamente, a partir de 2005. ‘‘A Alca não é um avião em que os países decidem embarcar ou não, rapidamente’’, disse o ministro. Segundo ele, ‘‘há muitos comentários tolos sobre o assunto, como se fosse um jogo de futebol em que as pessoas estivessem torcendo contra ou favor.’’
Para Lampreia, o fato de algumas autoridades argentinas terem defendido a proposta do Chile, de antecipar o fim das negociações para 2003, revela ‘‘matizes’’ e ‘‘opiniões diferentes’’ dentro dos governos, o que considera normal. Ele admitiu que dentro do governo brasileiro também há opiniões divergentes com relação ao calendário de liberalização do comércio ou de integração, mas que as diferenças não refletem a posição de governo. ‘‘Para que haja mudança é preciso que os 34 presidentes concordem, inclusive o nosso, e não foi isso que ocorreu’’, disse.
Segundo ele, é preciso estudar todas as consequências sobre a estrutura produtiva e o emprego. Lampreia comentou a afirmação feita pelo secretário adjunto de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Richard Fisher, à imprensa argentina de que a atitude do Brasil em colocar obstáculos para avanços nas negociações é infantil. Para Lampreia, a declaração de Fisher não representa a posição do governo dos Estados Unidos. ‘‘Não podemos achar que toda vez que o Fisher abre a boca está falando pelo governo dos Estados Unidos e não podemos esquecer que esse governo vai mudar e, aliás, o Fisher é uma pessoa um tanto faladora.’’
O ministro amenizou o discuro com relação ao Chile e disse que a associação desse país com os Estados Unidos ‘‘já era uma crônica anunciada’’, porque todos sabiam que o Chile tem um economia industrial e uma estrutura tarifária muito propícia para um acordo com o país do Norte. ‘‘O que magoou foi a questão do tempo e como isso foi anunciado ao Brasil’’, disse.
O chanceler afirmou que o Mercosul pretende retomar as negociações comerciais com o Chile e todas as formas de cooperação, mas confirmou que a adesão do país ao bloco não irá acontecer, por enquanto. O ministro também reconheceu que o Mercosul não foi capaz de atingir as metas acordadas entre os quatro presidentes em junho, em Buenos Aires, quando foi programado o relançamento do Mercosul para este semestre. ‘‘Houve muita incerteza sobre a integração e falta de entedimento sobre a união aduaneira, mas o Mercosul está pronto para uma nova etapa e a prova disso foi a recuperação do comércio este semestre.’’
De acordo com Lampreia, no ano passado a corrente comercial do bloco caiu de mais de US$ 20 bilhões por ano para US$ 14 bilhões, mas este ano já está em mais de US$ 17 bilhões e deve voltar a US$ 20 milhões.

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