César AugustoNo varejoAlta de 48% não será totalmente repassada para o varejo. Comércio teme queda no consumo Corretoras já estão negociando a importação de feijão do Chile e da Argentina para enfrentar escassez e alta dos preços. Nas últimas três semanas, o feijão de cor teve um aumento de 48,5% no Paraná, segundo a técnica Margoreth Demarchi, da Secretaria da Agricultura. As frustrações de safra, em consequência do ‘‘El Ni¤o’’, que provocou excesso de chuvas no Sul e seca no Nordeste, foram as responsáveis pela redução da oferta.
O fato é que há pouco feijão no mercado e os preços estão em alta, afirmou o corretor Cícero Malucelli, da corretora Malucelli. No início de abril a saca de feijão carioca estava sendo comercializada por R$ 36,47 em média e, ontem, a cotação média era de R$ 54,15/saca, informou a técnica do Deral.
A Seab constatou que nas regiões de Ivaiporã, Campo Mourão e Apucarana, o feijão carioca, de boa qualidade, está sendo negociado entre R$ 70,00 e R$ 85,00/saca. Em São Paulo os negócios estão sendo fechados por até R$ 90,00/saca. O feijão comercial, com alto índice de grãos brotados, varia entre R$ 70,00 e R$ 80,00, informou Marcelo Luders, diretor da corretora Correpar.
A corretora Malucelli confirmou que o preço da saca de feijão em São Paulo atingiu R$ 90,00, no interior e ‘‘os compradores estão se digladiando pela mercadoria’’, observou Malucelli. Segundo ele, a oferta existente é suficiente apenas para o abastecimento nos próximos 20 dias.
O superintendente da Conab-PR, Eugênio Stefanello, não concorda com o aumento de preço para o feijão comercial. Ele afirma que o feijão de cor normal tipos 3, 4 e 5 está sendo comercializado entre R$ 40,00 e R$ 50,00/saca. Os corretores argumentam que esse tipo de feijão não existe na praça.
Para equilibrar o mercado, a iniciativa privada está recorrendo às importações. A corretora Malucelli afirma que está negociando mil toneladas de feijão rajado chileno. O preço ainda não foi definido, mas as corretoras do Chile estão pedindo entre US$ 750 a US$ 800/t, informou Malucelli. Luders, da Correpar, afirmou que o Chile já comprometeu 2 mil t de feijão para o Brasil, de uma safra total de 3 mil t. O restante está comprometido com outros países produtores, que também estão indo ao mercado externo para comprar o produto, como México, Venezuela, Costa Rica e até Cuba.
O problema do feijão começou com o excesso de chuvas no Paraná e em Santa Catarina, que provocou uma redução na produtividade e na qualidade, fatores que depreciaram o preço do feijão entre dezembro e fevereiro. Depois houve frustração da safra de Irecê, na Bahia, que teve uma quebra de 98%. Em seguida, a safrinha da seca do Paraná e Santa Catarina foi novamente prejudicada pelo excesso de chuvas. O mercado trabalha com uma quebra de 30% na safrinha desses dois estados, informou Luders.

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