A retração no consumo de alimentos no mercado interno, nos últimos dois meses, paralisou as importações de feijão preto da Argentina, único país que tem o produto em oferta. Os atacadistas e supermercados do Rio de Janeiro, principal praça de consumo, estão superestocados e não estão comprando o produto. Com isso, as cotações de feijão preto na região de fronteira, que estão acima dos níveis histórios começaram a cair.
Mas os atacadistas aguardam uma reação nas importações a partir de setembro, quando os estoques devem se esgotar. Enquanto a safra paranaense não entrar no mercado, a partir de novembro, os preços devem se manter estabilizados em alta, prevê o corretor Marcelo Eduardo Luders, da corretora de feijão Correpar.
O feijão preto que estava sendo importado por US$ 900 a tonelada na semana passada, agora é ofertado por US$ 820 a tonelada, informou Cicero Malucelli, da Corretora Malucelli. A ligeira queda no preço é resultado de pressão exercida pelos consumidores que se recusaram a pagar mais pela mercadoria. Os atacadistas estocaram o produto em junho, apostando numa alta de mercado ainda maior no bimestre julho e agosto, e ocorreu exatamente o contrário, disse. Malucelli também não acredita em queda acentuada das cotações, porque os estoques em poder de atacadistas e supermercados tendem a se esgotar.
A escassez do produto nos demais países produtores da América Latina elevou o preço do feijão preto na Argentina, o único que tem produção nessa época do ano, fazendo a alegria dos produtores portenhos, emendou o corretor.
A alta no preço do feijão preto no varejo é provocado pela incidência de taxas e custos de frete. Segundo Luders, o custo da importação de feijão é onerado em quase 30% com o acréscimo de custos de frete, ICMS e processamento do produto. Apesar do recuo no consumo, Luders afirmou que não há perspectiva de baixa no preço do feijão, porque o saldo exportável da Argentina não deverá durar até a entrada da safra paranaense. No atacado o feijão preto está sendo comercializado entre R$ 1,50 a R$ 1,80 o quilo e no varejo, R$ 2,00 o quilo.

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