País faz pouco para obter crédito do Japão
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
Spensy Pimentel<br>Agência Brasil 
Brasília - O empréstimo de US$ 1,7 bilhão que o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) deverá anunciar durante a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Japão nesta semana é um resultado pífio perto da anunciada intenção de retomar o ritmo da cooperação que já existiu entre o Brasil e o Japão antes da moratória brasileira nos anos 80. De acordo com fontes do meio empresarial japonês, esses empréstimos estavam negociados desde o governo passado e só serão concedidos porque as garantias são boas: petróleo e minério de ferro. O Brasil, segundo essas fontes, não apresentou nenhum projeto novo para acessar linhas de crédito disponíveis no JBIC para países em desenvolvimento.
A expectativa do empresariado japonês com a visita de Lula é, portanto, baixa. Do total a ser anunciado para o País, perto de US$ 1,2 bilhão será um empréstimo para a Petrobras, a ser aplicado na construção de dutos e instalação de plataformas. A parceria do Japão com a estatal brasileira vem de longa data. Já há alguns anos a Petrobras tem um escritório em Tóquio. Haverá, ainda, uma linha de crédito a ser concedida para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um empréstimo à Vale do Rio Doce, para investimentos na logística de transporte de minério de ferro.
De acordo com essas fontes envolvidas nas negociações comerciais entre Brasil e Japão, o JBIC tem interesse em financiar projetos da Vale e da Petrobras para aumentar a gama de fornecedores de dois insumos estratégicos ao Japão: ferro e petróleo. E, como são duas commodities, o risco comercial é praticamente nulo. Oscilações bruscas na taxa de câmbio do Brasil, por exemplo, não afetariam o recebimento do crédito pelo banco japonês.
Lula teria, segundo essas fontes, desperdiçado a chance de colocar o relacionamento Brasil-Japão em outro nível ao deixar de apresentar, com a antecedência exigida pelos metódicos negociadores japoneses, projetos concretos de parceria em outras áreas. O mesmo JBIC possui uma linha de crédito mais barata do que a que será oferecida ao País durante a visita de Lula. Essa linha tem como origem o antigo Overseas Economic Cooperation Fund (OECF) e sua finalidade é justamente dar assistência a países em desenvolvimento.


