Pela primeira vez, desde 1975, o Brasil vai exportar mais soja em grão do que farelo. Os dados da safra 99/00 devem fechar a temporada com a exportação de 10,9 milhões de toneladas de grãos; 9,2 milhões de toneladas de farelo, e 1,2 milhão de t de óleo. No ano passado foram exportadas 8,9 milhões de t de grãos; e 10,1 milhões de t de farelo e 1,4 milhão de t de óleo.
A diferença é mais significativa se considerados os dados de 1995/96. No período o Brasil exportou 12 milhões de t de farelo e apenas 3 milhões de t de grãos. A comparação com 1996 não é por acaso: é que, a partir da safra seguinte, entrou em vigor a Lei Kandir, isentando o grão do imposto de exportação (13%), mas mantendo o imposto sobre o farelo (12%) e sobre o óleo (9%).
A desoneração do ICMS estimulou a exportação de matéria-prima. O imposto sobre a exportação tinha um efeito compensador contrapondo as taxas cobradas pelos países importadores para proteger seu mercado interno.
O aumento das exportações de matéria-prima reduziu as atividades do parque moageiro interno, aumentando a capacidade ociosa das agroindústrias. A economia perde o valor agregado da produção, uma das preocupações dos países emergentes.
Em contrapartida, o País vendeu mais soja para a China este ano: 1,8 mihão de toneladas, contra 620 milhões do ano passado. A China quer industrializar.
As indústrias nacionais têm uma projeção de esmagamento em torno de 20,5 milhões de toneladas, contra 21,6 milhões de t no ano passado, é mais um dos indicadores da inversão do processo.
As mudanças nas exportações não são a única característica desta safra. O analista de mercado Flávio França Júnior, de Safras & Mercados, de Curitiba, observa que a comercialização foi mais lenta e melhor distribuída no tempo. Este ano não houve aquela pressão da oferta concentrada nos três meses de março a maio. A ofeta veio naturalmente, escalonada desde início da safra. O atraso no plantio motivado pela seca tem muito a ver com isto.
Estima-se que ainda faltam cerca de 10% das colheitas nacional (31,9 milhões de t) e paranaense (7,2 milhões de t) para serem comercializados: cerca de 3,2 milhões de t. A proporção de soja disponível é a mesma em termos nacionais e no Paraná. Cooperativas e Deral confirmam esses números como bem próximos da realidade.
Para Flávio França Júnior, o preço do óleo é o ‘‘patinho feio’’ do complexo soja este ano. Mas não é examente um problema doméstico, observa. É um problema mundial caracterizado pelo excesso de oferta de outras oleaginosas: girassol, canola e palma.
O consumo interno de óleo (2,93 milhões de t) tem pequeno aumento ‘‘residual’’ de 1,8% este ano em comparação com o consumo do ano passado (2,88 milhões de t).
O consumo interno de farelo apresenta um bom crescimento: sai dos 6,8 milhões de toneladas ano passado para 7,1 milhões de toneladas. Com a redução do esmagamento de grãos a oferta interna de farelo também caiu refletindo no preço, ainda em análise.
Os embarques também tiveram uma ‘‘movimentação diferenciada’’, segundo França Júnior. De modo geral a comeralização foi menos intnsa que ano passado. Tivemos em junho/julho um refluxo nos preços que caíram; em agosto houve recuepração desses. A comercialização teve momentos em que os preços chegaram a 15% acima dos preços do ano passado, puxando a média.
O problema da soja é conjuntural, define França. Mas há sinais claros de recuperação da economia e demanda mundial do produto. Isto a longo prazo. No curto prazo o mercado vive sob a influência da safra norte-americana e sua redução mais ou menos definida. O mercado aguarda o relatório do Usda, para saber o que fazer com o que está em maos dos produtores e definir fixação de preços para a próxima safra. Tudo sem muita pressa porque quem não vendeu até agora é porque exibe boa liquidez e está pagando para ver os números do Usda.

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