'País está passando por uma desindustrialização'
A perspectiva para 2016 é que o cenário continue sombrio para a indústria de transformação de plásticos, diz a presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Norte do Paraná (Simplas NP), Sueli de Souza Baptisaco. Segundo a presidente, a indústria atende setores como construção civil e alimentos, e emprega 3,5 mil pessoas na região Norte do Estado.
A alta "expressiva" do dólar, o aumento "exorbitante" da energia e a oneração da folha de pagamento foram os principais fatores que levaram o desempenho do setor para baixo em 2015. A entidade não informou números da produção em 2015, mas em geral, a presidente avaliaf que foi um ano "muito ruim" e que, inclusive, resultou em demissões de, no mínimo, 20% dos funcionários.
As perspectivas de melhoras são minadas pelos juros altos, que impedem que os industriais invistam em maquinário e tecnologia para melhorar a produtividade. "Para nos adequarmos à situação, temos que pensar em baixar os custos internos. Mas para baixar esses custos, precisa de maquinário, precisa de investimento em tecnologia. O Brasil está passando por uma verdadeira desindustrialização."
Inadimplência
Para tentar minimizar os efeitos do aumento do dólar na empresa, o industrial Éder Baptista dos Santos, proprietário da São Geraldo Plásticos, em Londrina, substituiu matéria-prima importada pela nacional na produção. Ano passado, 70% da matéria-prima era importada e 30% nacional. Hoje, 80% é nacional e 20% é importada. A indústria atende, principalmente, o setor alimentício com embalagens plásticas. Em 2015, a queda na produção chegou a 10%, e em 2016 Santos diz esperar que a queda se mantenha com o mesmo índice.
A fim de reduzir custos e não precisar dispensar funcionários, Santos afirma ter implementado algumas mudanças internas na empresa, pois expandir mercado está hoje fora de cogitação. "Remanejamos funcionários, ficamos mais atentos a detalhes como perda de embalagens e gastos com tinta e com energia. Estamos apertando mais para reduzir custos e conseguir atravessar essa fase. Não dá para buscar novos clientes porque o nosso grande vilão hoje é a inadimplência."(M.F.C.)





