‘‘O Brasil está na corda bamba; é preciso tomar cuidado’’, disse ontem o economista norte-americano Paul Krugman. Para o professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), a recuperação do País depois da desvalorização do real foi surpreendente, ‘‘mas a situação do Brasil ainda é frágil’’, alertou.
De acordo com Krugman, uma eventual disputa política que prejudicasse o programa de privatizações, a divulgação de resultados do orçamento do governo federal abaixo do esperado e uma nova alta dos juros são exemplos dos problemas que poderiam levar o Brasil a uma nova crise. ‘‘Os ingredientes necessários para o fogo ainda estão lá. Tem que se certificar que ninguém vai acender’’, disse o economista, que participou ontem, em São Paulo, de um fórum promovido pela Abinee.
Uma das principais preocupações do economista é a taxa de juros. ‘‘Há um mês estava otimista com a economia brasileira, mas agora estou impaciente. Queria ver a taxa de juros a mais baixa possível, disse. ‘‘A prioridade é baixar as taxas até que o orçamento não seja mais um problema. Para Krugman, juros altos reforçam a preocupação sobre a evolução da dívida pública. Se os juros baixassem rápido, a dívida não seria motivo de preocupação porque ela ainda não é alta em relação ao tamanho da economia.
Cauteloso, Krugman evitou dar declarações contundentes sobre a economia brasileira ou tentou amenizar suas posições mais polêmicas. ‘‘Há inúmeras razões para crer que o Brasil tem tudo para vir a ser um milagre econômico’’, escreveu Krugman na versão original do discurso preparado para o fórum. No mesmo discurso, ressalvou: ‘‘Mas o Brasil ainda poderá mergulhar em nova crise’’.
Em geral, o economista norte-americano demonstrou confiança na recuperação da economia e admitiu ter errado nas previsões de que o País atravessaria uma crise muito pior com a desvalorização do real. Ele atribuiu o erro de avaliação dos analistas financeiros ao fato de tratarem da mesma maneira crises distintas. ‘‘Eles acreditavam que o Brasil era a Tailândia ou o velho Brasil do passado’’.
Segundo Krugman, o mercado financeiro internacional ainda está sendo muito severo com o País, cobrando taxas de juros muito altas. Ele acha que o atual déficit nas contas externas brasileiras não é preocupante, desde que seja financiado. Krugman defendeu limitações ao capital de curto prazo, depois de superada a crise.
Ele também se mostrou contrário à dolarização da economia. Para ele, um dos principais problemas de adotar a moeda norte-americana é a falta de autonomia para a política econômica. ‘‘Em Washington, eles não estão preocupados com a taxa de desemprego em Los Angeles e não em São Paulo’’.

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