Desvalorização do real em até três meses e profunda recessão no Brasil em 1999 foi o cenário descrito pelo professor de economia do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) Rudiger Dornbusch, ontem, em Nova York. Ele falou para a mesma platéia que hoje vai ouvir o ministro Pedro Malan (Fazenda). Dornbusch participou do primeiro dia da Conferência das Américas, organizada pelo ‘‘Wall Street Journal’’. O economista chamou o Brasil de um país malgovernado. ‘‘O presidente Fernando Henrique Cardoso poderia ter feito todos os ajustes necessários para evitar que o Brasil estivesse na atual situação. Agora, vai pagar caro pela falta de ação. A política econômica foi uma fraude’’, disse.
Dornbusch disse que os problemas do Brasil começaram com a sobrevalorização do câmbio na implantação do Plano Real, em 1994. Ele é um crítico contumaz da sobrevalorização. No ano passado, chegou a comparar o Brasil com o México, que passou por uma crise em 1995 exatamente por causa desse problema. Agora, ele prevê que vai haver uma corrida acentuada pela troca do real pelo dólar.
‘‘A debandada do real vai continuar existindo’’, afirmou. Ele classificou de alarmante a saída de US$ 500 milhões por dia, em média, do Brasil no último mês. A forma de evitar o cenário catastrofista, segundo Dornbusch, seria seguir o modelo argentino. Convertibilidade fixa e reformas fiscais profundas fariam parte da fórmula.

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