País está longe de ser grande exportador
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domingo, 07 de janeiro de 2001
Cláudia Dianni Agência Estado De Brasília 
Representantes do setor privado consideram que só com uma mudança radical na política de comércio exterior brasileira será possível tornar o País um grande exportador. O ideal seria o presidente Fernando Henrique Cardoso participar mais ativamente das ações do governo na área. Os empresários acusam o presidente de omissão e afirmam que a conquista do mercado externo ainda não se transformou em uma política de Estado. É preciso haver um homem forte ou o próprio presidente para coordenar as atividades que incentivam as exportações, diz o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores (Abracex), Roberto Segatto.
Para os empresários, não adianta o governo anunciar medidas paliativas ou promover ações para fortalecer a Câmara de Comércio Exterior (Camex). O presidente tem de entrar de vez nesse assunto e tomá-lo como uma questão pessoal ou então deixar o Ministério da Fazenda arrecadar e só; essa será a prioridade diz Segatto. Ele defende uma estrutura que defina, determine e acompanhe as ações de promoção, de logísticas, fiscal ou financeiras para estimular as exportações.
Não adianta o Desenvolvimento querer uma coisa, mas a Fazenda brecar porque não quer cortar impostos. Segatto cita como exemplo a ser seguido o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), ligado diretamente à Casa Branca, que conta com técnicos, juristas e especialistas para definir e executar a política comercial.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stephan Salej, acredita que a própria Camex poderia cumprir este papel. O governo tem de criar condições fiscais e de crédito e oferecer estrutura logística ao Itamaraty, que não tem recursos, para fazer promoção comercial. Na opinião do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, enquanto houver divergências sobre a importância das vendas externas no governo, o Brasil não será um grande exportador.
É preciso alguém para arbitrar as dualidades e esse alguém só pode ser o presidente, afirma. O empresário sugere que as viagens internacionais de Fernando Henrique Cardoso tenham um caráter mais comercial que o de costume. Até o Clinton foi ao Vietnã para abrir mercado, por que o Fernando Henrique não trata de comércio em suas viagens?, questiona.


