Os investimentos em tecnologia, sempre em falta no País, andam ainda mais raros. Prova disso são os pedidos de incentivo fiscal ao Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI) do Ministério da Ciência e Tecnologia. Com o corte da ajuda para metade em novembro passado, a quantidade de empresas interessadas nos subsídios caiu de 35, em 97, para 11 este ano, número que pode chegar a 15 até dezembro. Quando o parâmetro são os valores envolvidos nos projetos, a diferença não é tão grande: R$ 700 milhões, em 97, e R$ 648 milhões, até agora, em 98. Isso porque somente um projeto da Petrobrás para prospecção de petróleo em águas profundas consumirá R$ 377 milhões, mais da metade dos investimentos previstos nos planos aprovados pelo Ministério em 98.
Em novembro passado os incentivos à tecnologia sucumbiram aos cortes promovidos pelo governo na tentativa de conter os efeitos da crise asiática no País. Com isso, caiu de 8% para 4% o abatimento no imposto de renda das despesas com desenvolvimento tecnológico de novos produtos e processos. Além disso, a dedução passou a incluir também os gastos com alimentação do trabalhador. A isenção do IPI para compra de equipamentos de laboratório também acabou e as empresas passaram a ter de bancar 50% dos impostos.
Os incentivos, previstos pela Lei 8.661, também dão direito às empresas de contabilizar em tempo reduzido a depreciação de equipamentos. ‘‘Um prazo de dez anos pode cair para três’’, explica o assessor técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia, Cláudio Raeder. No caso da compra de softwares, a amortização é feita de uma vez só, diz ele.
O secretário de desenvolvimento tecnológio do Ministério, Cláudio Raeder, critica a redução da ajuda do governo. ‘‘Os cortes foram feitos de forma linear, apesar de a tecnologia corresponder a menos de 1% do total de incentivos concedidos’’, diz. E acrescenta: o PDTI encoraja investimentos. ‘‘Para cada real de renúncia fiscal, as empresas investem R$ 3,28 em tecnologia’’, diz. ‘‘Desde 94, foram US$ 2,9 bilhões de investimento para US$ 883 milhões de incentivo.’’
O diretor do departamento de teconologia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Osires Silva, também ataca a redução dos incentivos. Na sua opinião, o tiro do governo pode sair pela culatra. Afinal, investimentos em tecnologia incentivam as importações e ajudam a reduzir o déficit comercial, uma das principais pedras no sapato da equipe econômica.

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