País economiza US$ 1,2 bilhão com PD
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
Oswaldo Petrin Reportagem local 
Esta economia anual pode duplicar em 10 anos se a participação do plantio direto passar dos atuais 35% para 70% da área cultivada no País. Agricultores que adotam o sistema querem o retorno da sociedade urbana
O sistema de plantio direto (PD) que hoje é adotado em 35% das lavouras de soja e milho no Brasil (no Paraná o PD ultrapassa os 80%), proporciona uma economia anual US$ 1,2 bilhão. Se o percentual subir para 70%, o dobro da área atual, como está projetado para daqui a 10 anos, essa economia, em valores de hoje, deflacinados, ficaria entre US$ 2,3 e US$ 2,5 bilhões.
Os cálculos sobre a conversão monetária dos benefícios econômicos e ambientais proporcionados pelo PD foram feitos por especialistas da Unicamp a pedido da Associação de Plantio Direto no Cerrado, filiada à Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. Ao apresentá-los ontem, em Londrina, o agricultor John N. Landers, um dos precursors do PD, defendeu a tese de que a sociedade precisa investir no agricultor como guardião do ambiente e que a agricultura praticada com sustentabilidade tem que receber incentivos.
John Landers entende que o advento do PD tirou a agricultura brasileira do extrativismo elevando-a para a sustentabilidade. Porém, a sociedade civil ainda não percebeu que o agricultor de PD, executando essa prática em 15 milhões de ha em 2001, ou seja um terço do total nacional de lavouras temporárias, se tornou ambientalmente responsável por conta própria e sem subsídio. O estudo apresentado por Landers quantifica os múlitplos impactos que a agricultura sustentável tem para com o ambiente e a sociedade.
Isto demonstra claramente que o investimento em um programa de estímulo ao PD seria de bom retorno para a sociedade. afirma. A preservação dos recursos naturais são uma co-responsabilidade de todos os setores da sociedade na proporção dos benefícios recebidos.
Entre os benefícios do PD Landers relaciona: redução dos índices de poluição ambiental, redução de queimadas, menor uso de agrotóxicos e redução dos riscos de assoreamento de rios e represas, refletindo na geração e distribuição de energia elétrica. Neste aspecto, Landers afirma que o ganho das hidrelétricas é fantástico. O aumento da produtividade, proporcionada pelo PD é uma forma de atender o aumento da demanda sem, necessariamente, ampliar as fronteiras agrícolas que implicam em desmatamento.
O PD proporciona uma série de benefícios econômicos diretos e indiretos via preservação ambiental. Esse sistema foi implantado por conta do agricultor sem programa especial ou qualquer tratamento diferenciado.
John Landers é secretário-executivo da Associação de Plantio Direto no Cerrado e vem se dedicado ao PD desde 1976, dez anos depois de ter chegado ao Brasil, com 28 anos de idade, vindo da Inglaterra, onde se formou em ciências agronômicas. Ele falou ontem no Iapar para pesquisadores do Instituto, da Embrapa, Emater, cooperativas, empresas privadas e produtores. Na platéia estavam nomes internacionais em pesquisas de solos, como Osmar Muzilli; o presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, Herbert Bartz.


