O que os americanos se queixam é de que o Brasil conta com uma agricultura de ponta e que o País ameaça hoje os mercados até então cativos dos exportadores americanos. ''Há vinte anos nos perguntávamos se o Brasil seria uma ameaça e a realidade é que poucos acreditavam que seríamos incomodados pelo País. Hoje, a situação é bem diferente e estamos fazendo esse alerta ao nosso governo'', admite um lobista do setor privado americano.
Na costa leste americana, a recente construção de um terminal dedicado exclusivamente para receber a soja brasileira gerou uma revolta entre os agricultores. O porto foi construído pelos importadores americanos na cidade de Willmington, na Carolina do Norte, e serve para abastecer o mercado e criadores de frango e outros animais.
A concorrência, segundo os produtores, derrubou o preço da soja local. Para os lobistas, esse é exemplo da competitividade do Brasil e do fato de que deve ser tratado como um país desenvolvido.
Já o governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de reclassificação do País na OMC e considera a iniciativa dos agricultores americanos como uma forma de legitimar a existência dos subsídios que distorcem os mercados.
Isenção - A Europa já adotou uma estratégia similar de dividir os países em desenvolvimento e decidiu dar livre acesso a seu mercado para produtos agrícolas de suas ex-colônias na África, Caribe e Pacífico (ACP). Com isso, os europeus esperam retirar parte da pressão para que abram seu mercado a produtos agrícolas. Os europeus já haviam anunciado uma proposta semelhante para os 40 países mais pobres do mundo.
Pela proposta dos europeus, as cotas e tarifas para produtos como leite, carnes, cereais, frutas e legumes devem ser abolidas a partir do dia 1º de janeiro de 2008. Já o açúcar e o arroz, produtos considerados como mais sensíveis, teria um período de transição para entrar no mercado europeu.
O acesso para o açúcar, por exemplo, somente seria estabelecido depois que as reformas internas nos países europeus fossem realizadas. Isso significa que os países do ACP podem ter de esperar até 2015 para exportar seus produtos sem tarifas ou cotas. Outra exceção será a África do Sul, considerada como competitiva demais para receber os benefícios de isenção de tarifas.(J.C)

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