País é um dos poucos com condições de expansão
Um dos poucos países com condições de expandir a atividade pecuária é o Brasil. Há área física, os produtores dominam tecnologia de produção e a estimativa é que o rebanho seja recomposto nos próximos dois anos, data em que haverá condições de aumentar a produção. As perspectivas também indicam preços em bons patamares em uma análise futura para os criadores, a partir de 2011. Deverá haver aumento de produção e aumento de preços, o que é um fator anormal e, esse cenário, será puxado pela demanda externa, observou José Vicente Ferraz, diretor técnico da AgraFNP (instituto privado de análises do agronegócio).
Os preços recebidos pelos produtores tendem a subir, principalmente, se o Brasil conseguir atingir os melhores mercados, hoje abastecidos pela Austrália. A União Europeia cada vez tem credenciado mais fazendas, o volume exportado está aumentando e é um mercado que paga bem, comentou Ferraz. Projeções indicam que poderá haver aumento de preços da arroba bovina no mercado interno já neste segundo semestre, com picos de alta de R$ 86. Faltam animais para confinamento, devido a redução do rebanho ocorrida entre 2005 e 2006, disse. O rebanho estimado pela AgraFNP para este ano é de cerca de 200 milhões de cabeças.
No entanto, ele indicou que o panorama poderia ser melhor não fosse a ocorrência da crise econômica mundial. Havia perspectiva de chegar a R$ 100 a arroba na entressafra, observou. O consultor da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, acrescentou que o preço da arroba bovina tradicionalmente aumenta entre maio e outubro. Por enquanto o mercado futuro está ruim, mas a tendência é de mais alta, disse, sem arriscar um patamar de valores. Na sua avaliação, o Brasil ainda poderá ser beneficiado devido à redução gradual dos subsídios concedidos pelos países desenvolvidos.
O Brasil será beneficiado no longo prazo porque a crise impôs a redução do consumo. As exportações brasileiras caíram 26% de outubro a março, afirmou Tito Rosa. No entanto, ele acrescentou que o comércio exterior voltou a crescer a partir do mês passado. É preciso um esforço adicional. O Brasil exporta para mais de 150 países, mas não tem acesso aos quatro mais importantes: Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul e Canadá, salientou. O País exportou no ano passado cerca de 2 milhões de toneladas em carcaça, o que rendeu cerca de US$ 5 bilhões. (F.M.)





